Médica que morreu em Iguatu por covid-19 convocou atos de rua e pedia fim da quarentena

Médica que morreu em Iguatu por covid-19 convocou atos de rua e pedia fim da quarentena

A médica Lúcia de Fátima Dantas de Abrantes, de 66 anos de idade, morreu infectada com coronavírus nesta sexta-feira (10), em Iguatu. Ela estava internada na UTI do hospital da cidade.

Iguatu, de 100 mil habitantes, fica 370 quilômetros ao sul de Fortaleza. O Ceará é o terceiro estado brasileiro com mais casos de coronavírus, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro.

Em 12 de março ela defendeu convocação organizada por grupos bolsonaristas para manifesto de rua em defesa do presidente, e que aconteceu em várias cidades do país no dia 15 de março. Ironizou o vírus, dizendo que ele iria ‘invadir o Brasil’.



Em 16 de março, a médica fez uma publicação no Facebook em que minimiza o risco do coronavírus. “Existem vírus muito mais potente e que matam muito mais (h1n1 por exemplo) e ninguém está nem aí para eles. Porque será??????” (sic), escreveu Lúcia, com imagem que também criticava a cobertura da imprensa sobre a pandemia.


No dia 27 de março, ela compartilhou uma convocação para uma carreata pela reabertura do comércio em Recife, organizada por empresários.


Conforme a Secretaria Municipal de Saúde de Iguatu, a médica ficou internada na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital São Camilo por mais de dez dias. Nesta semana o estado de saúde da paciente se agravou. Ela chegou a ser entubada, mas não resistiu à infecção pulmonar e morreu.