Número de homicídios explode no Ceará em meio à pandemia do coronavírus

Número de homicídios explode no Ceará em meio à pandemia do coronavírus

O Ceará enfrenta, além do número de mortes decorrentes do novo coronavírus (Covid-19), uma explosão no total de homicídios registrados. A última semana foi marcada pela violência em Fortaleza e municípios da Região Metropolitana (RMF). No último sábado, 25, pelo menos seis homicídios foram registrados.

Conforme O POVO publicou no último sábado, os números de assassinatos registrados entre quarta, 22, e quinta-feira, 23, foram maiores que a média registrada no Estado até então, de 12 homicídios por dia. Nesse mesmo período, foram registrados conflitos simultâneos entre facções na Grande Fortaleza. Conforme O POVO apurou, o motivo seria um "salve" da facção criminosa Guardiões do Estado (GDE) ordenando vingança pela morte de um dos seus chefes.

Foram 366 crimes do tipo registrados só nos 25 primeiros dias deste mês de abril, conforme relatório estatístico da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). De acordo com os dados da pasta, em abril de 2019 foram registrados 213 Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) no Estado.

O problema das facções no Estado não é novo e foi mais intenso entre os anos de 2016 e 2018. De acordo com especialistas, houve uma espécie de "reacomodação" no perfil dessas organizações em 2019, no que ficou conhecido como "trégua" entre os grupos criminosos. Trégua essa que era constantemente negada pelo Governo do Estado, atribuindo à repressão policial como a principal causa da diminuição da violência.

O professor do programa de pós-graduação em Sociologia da Universidade Federal do Ceará (UFC) e também pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV), Luiz Fábio Paiva, lembra que, de fato, o Governo do Estado investiu no que ele chama de "desmantelamento na dinâmica das facções", com foco em operações policiais e medidas no encarceramento.

"Os grupos recuaram, mas essa política em nada mudou os problemas sociais ou as condições sociais que permitem ou possibilitam a existência deles", explica o sociólogo. "Houve um recuo nessa intensidade do conflito, mas já no fim de 2019 começava-se a observar uma maior inquietação em situações de acerto de contas".

Fábio Paiva destaca que janeiro deste ano já foi um mês mais violento em comparação a janeiro de 2019. Foram 192 homicídios em janeiro do ano passado contra 265 no mesmo mês deste ano, tornando-o o mais violento dos 13 meses anteriores.