Farmacêuticos e trabalhadores da saúde vão ao Supremo contra a cloroquina de Bolsonaro

Farmacêuticos e trabalhadores da saúde vão ao Supremo contra a cloroquina de Bolsonaro

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Saúde e a Federação Nacional dos Farmacêuticos apresentação ação no Supremo Tribunal Federal cobrando a suspensão do protocolo elaborado pelo Ministério da Saúde para uso de cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento da covid-19.

As duas entidades afirmam que o governo baseia a aplicação da substância em estudos clínicos iniciais que já foram descartados após pesquisas apontarem a inexistência de resultados eficazes das drogas no combate ao novo coronavírus. Por isso, alegam que o protocolo deve ser ‘imediatamente revisto’ pois se encontra ‘defasado’, já que aquele tratamento ‘se mostrou ineficaz e prejudicial’.

“A politização que tem sido feita em torno desse assunto está, em verdade, atrapalhando o combate à pandemia e fazendo médicos, gestores públicos, técnicos, juízes e ministros perderem tempo valioso na definição de outras questões que, seguramente, contribuiriam muito mais para a definição das ações de enfrentamento de momento tão duro do nosso país”, apontaram.

A ação apontou ‘prejuízo real’ que as consequências do protocolo podem trazer para boa parte da população e até para a classe médica, que se sente pressionada a realizar tratamento ineficaz e prejudicial em razão da ‘comoção social causada pelo governo federal e sua propaganda da droga’.

As entidades pedem que a Justiça também proíbam o governo federal e seus representantes de difundir e divulgar a droga.

De acordo com estudo realizado com mais de 96 mil pacientes internados, o uso da cloroquina ou da hidroxicloroquina em pacientes com o novo coronavírus, mesmo quando associado a outros antibióticos, apontou o aumento do risco de morte e de arritmia cardíaca dos infectados pela covid-19. A pesquisa é a maior já realizada até o momento sobre os efeitos da droga.

Estadão Conteúdo