Santa Quitéria teve 3ª maior perda de postos de trabalho no Ceará em 2020

Santa Quitéria teve 3ª maior perda de postos de trabalho no Ceará em 2020

Dentre várias as consequências motivadas pela pandemia do coronavírus, uma delas foi bem dura para com milhares de quiterienses: as perdas no mercado de trabalho. Entre janeiro e abril deste ano, foram encerrados 1.013 postos de trabalhos formais em Santa Quitéria, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério da Economia.

O impacto se mede a partir das piores posições no Estado: o Município teve o terceiro pior saldo de empregos do Ceará, à frente de cidades-polo como Caucaia, Juazeiro do Norte, Eusébio e Sobral.

No começo de abril, 1.143 colaboradores foram demitidos da fábrica de calçados Democrata, maior empregadora local. Pouco mais de um mês depois, a empresa voltou a readmitir alguns deles, operando com aproximadamente 10%. Para as próximas semanas, ela poderá operar com até 30%, conforme plano de retomada econômica lançado ontem pelo Governo do Estado. Além do polo calçadista, outros setores também ficaram bastante comprometidos na cidade.

Especialistas avaliam que este saldo negativo deve demorar pelo menos três meses após a retomada das atividades para começar a ser revertido e com o retorno ao trabalho cheio de incertezas. "A economia não tem condições de repor todas essas vagas de uma vez. No próximo trimestre, talvez já comecemos a ver algum tipo de melhora nesse saldo", projeta Aécio de Oliveira, professor de Economia Ecológica da Universidade Federal do Ceará.

Erle Mesquita, coordenador de Estudo e Análise de Mercado de Trabalho do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), acredita não ser possível prever quando o mercado de trabalho deverá se recompor. Segundo ele, serão necessárias políticas do trabalho e união entre as diferentes instâncias de poderes e gestores para recuperar os empregos perdidos e gerar novos.