Tomás Figueiredo fala em "motivação política" sobre atuação do MP no toque de recolher

Tomás Figueiredo fala em "motivação política" sobre atuação do MP no toque de recolher

A queda de braço entre a Prefeitura Municipal de Santa Quitéria e o Ministério Público do Estado do Ceará, em relação à legalidade do toque de recolher decretado no município, rendeu muita discussão nesta semana. Na sexta-feira (29), o juiz Isaac de Medeiros Santos indeferiu a Ação Civil Pública movida pelos promotores locais em desfavor do Município, por não acatar a recomendação e suspender a medida restritiva. O prefeito Tomás Figueiredo falou pela primeira vez sobre o assunto, na edição de hoje do jornal Diário do Nordeste.

Marina Romagno e Deric Funck argumentaram que a medida foi adotada “sem base em evidências científicas e em análises sobres às informações estratégicas em saúde” e que “só pode ser adotada pelo Presidente da República e em caso de defesa e estado de sítio ou de guerra declarada”. Recomendação semelhante foi enviada à Prefeitura da vizinha Catunda, que revogou a medida após intervenção realizada dez dias do decreto vigorar.

Ao jornalista Antonio Rodrigues, Tomás disse que causou estranheza a demora em enviar a Recomendação à Catunda, quando só restavam dois dias para encerrar o “toque de recolher”, já que houve muita agilidade para pedir a revogação do decreto em Santa Quitéria. “Por que nesses 11 dias de Catunda não tomaram atitude?”, provocou.

O gestor também sugeriu ainda que o pedido para revogação “pode ter motivação política”, ao citar que o irmão de um dos promotores “era da gestão passada”, se referindo a Claudio Funck Leite, irmão de Deric e que ocupou cargo na Coordenadoria de Política Sobre Drogas, ligada à pasta da Assistência Social, quando na gestão do ex-prefeito Fabiano Lobo.

A Procuradora-Geral do Município, Karen Celine Correa Cavalcante, respondeu ao documento ministerial, pedindo a reconsideração e alegando que “a sua revogação prematura resultaria em maior contágio e, infelizmente, em alta probabilidade de novos óbitos”. O toque de recolher permanecerá em vigor até amanhã (1º).