Weintraub nega racismo, alega ‘liberdade de expressão’ e ataca Partido Comunista Chinês

Weintraub nega racismo, alega ‘liberdade de expressão’ e ataca Partido Comunista Chinês

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, atacou o Partido Comunista Chinês em documento entregue à Polícia Federal nesta quinta, 4, no inquérito que apura suposto crime de racismo. Segundo o ministro, as publicações questionadas na investigação eram críticas ao governo chinês, uma ‘ditadura comunista que despreza os princípios que regem uma democracia liberal’, e não ao povo do País.

O ministro é investigado por racismo após publicar um tuíte em que insinuou que a China vai sair ‘fortalecida da crise causada pelo coronavírus, apoiada por seus ‘aliados no Brasil’. A publicação usou uma imagem de personagens da Turma da Mônica ambientada na Muralha da China e substituiu a letra “r” pelo “l”, para fazer referência ao modo de falar do personagem Cebolinha, o que foi visto como insulto aos chineses.

No depoimento, Weintraub não respondeu às perguntas dos policiais, entregando uma declaração por escrito. O ministro disse que a imputação de crime decorre de ‘interpretação extensiva’ baseada em ‘sensibilidades de determinados grupos sociais’. O ministro disse que o uso da linguagem e da imagem dos personagens de quadrinhos foi para dar ‘humor’ à sua publicação, que buscava questionar o papel do Partido Comunista Chinês na pandemia do novo coronavírus.

“Não se pode imputar um crime nessas circunstâncias, sob pena de se revogar um princípio e direito maior constitucional, que é a liberdade de expressão”, escreveu o ministro, que negou ter praticado racismo com a postagem. “Onde está a discriminação ou preconceito? Há apenas referência a um governo, sem qual a mensagem seria impossível, e uso de humor, que não contém elementos para tipificação social”.

Estadão Conteúdo