Mandetta: Bolsonaro foi negacionista desde o começo e número de mortos seria 'infinitamente maior' se seguíssemos ele

Mandetta: Bolsonaro foi negacionista desde o começo e número de mortos seria 'infinitamente maior' se seguíssemos ele


Ex-deputado federal e ortopedista, Mandetta foi demitido do governo após semanas de disputas com o presidente sobre pontos vitais da estratégia de combate à covid-19, como a necessidade de distanciamento social. Ele deixou a Saúde com cerca de 30 mil casos e 2 mil mortos pela covid-19.

"Ele (Bolsonaro) foi negacionista desde os primeiros dias. Entregou o jogo no primeiro tempo. A gente tentava trazê-lo de volta para a realidade. Mas ele se recusou", disse Mandetta. "E se recusa até hoje a encarar a realidade, de que é falso o dilema entre economia e saúde." 

Para o ex-ministro, a marca de 100 mil mortos pode servir de "choque de realidade" para o governo assumir a gravidade da pandemia. Mandetta avalia que o País está passando pelo pior momento da doença, mas que em setembro "os números provavelmente vão ficar melhores". 

Mandetta afirma que não tratou publicamente, como em declarações à imprensa, sobre previsões de mortos pela doença, mas que Bolsonaro sempre soube da gravidade da pandemia. Segundo o ex-ministro, o presidente preferiu ouvir auxiliares que "falavam o que ele queria escutar" e apontavam uma crise de no máximo 3 meses, que deixaria mil mortos.

"O pior cenário não é esse (100 mil mortos)", diz ele, citando o caos de Manaus como exemplo negativo de combate ao novo coronavírus. "Até falência funerária eles tiveram. Aquilo era o pior quadro. E se tivesse prevalecido a vontade dos negacionistas, ia acontecer o mesmo no Brasil todo. A gente ganhou tempo. Conseguimos salvar mais vidas, pois deu para o sistema se organizar", afirma.

Estadão Conteúdo