Pesquisadores da UFC querem enviar peles de tilápia para tratar vítimas da explosão em Beirute

Pesquisadores da UFC querem enviar peles de tilápia para tratar vítimas da explosão em Beirute


Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) oferecem assistência técnica e todo o estoque de 40 mil cm² de pele de tilápias para o tratamento das vítimas da explosão em Beirute, capital do Líbano. Na quarta-feira, 5, o embaixador libanês Joseph Sayah já havia manifestado a necessidade de insumos hospitalares e alimentos para cuidar da população libanesa. A explosão deixou cerca de cinco mil feridos, mais de 100 mortos, e desabrigou mais de 260 mil pessoas.

O Projeto Pele de Tilápia, do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da UFC, tem a coordenação de Edmar Maciel e Odorico de Moraes. Após o acidente no país do Oriente Médio, a equipe decidiu realizar uma campanha, para sensibilizar autoridades brasileiras a mediar a doação de 400 peles para a capital libanesa, de forma a tratar as vítimas da explosão.

“Nós somos apenas técnicos; produzimos as peles e estamos disponibilizando 400 peles que equivalem a 40 mil cm² para ajudar essas vítimas de queimaduras em Beirute, isso não tem ônus”, destaca. De acordo com o pesquisador, as 400 peles podem beneficiar cerca de 50 a 100 pacientes no tratamento de feridas e queimaduras, “a depender da extensão e da profundidade do tipo de lesão”, acrescenta Edmar, que é também médico, cirurgião plástico, e presidente do Instituto de Apoio ao Queimado (IAQ)

Entretanto, para que o produto seja enviado a Beirute, é necessário que ambos os países entrem em contato para resolver os entraves legais e burocráticos, para a entrada e o uso do material no Líbano. Segundo Edmar, as autoridades pertinentes estão cuidando da burocracia, e o núcleo de pesquisa se encarrega apenas da produção, preparação e esterilização das peles. “Estão indo profissionais aqui do Brasil para ajudá-los, e nós teríamos que orientar tanto os profissionais que vão, como eles [médicos libaneses], quanto a utilização [das peles], mas nada que seja impossível de usar”, esclarece.

Até 2021, a equipe do projeto Pele de Tilápia deve produzir 2 mil unidades de peles, que irão compor um estoque do material, a ser utilizado em situações de tragédias como a que ocorreu na última terça-feira, 4, em Beirute, conforme destaca o coordenador Edmar Marciel. “Tomamos a decisão como grupo, de produzir e preparar essas 2 mil unidades de pele, que vamos deixar prontas para qualquer tragédia no Brasil; ou em qualquer continente que queira receber essas peles, para que a gente possa ter um estoque grande para atender tragédias dessa magnitude”, detalha.

O País, segundo Edmar, nunca teve pele animal para uso em feridas e queimaduras registradas na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e, apesar dos quatro bancos de pele no Brasil estarem bem montados, a disponibilidade do produto ainda é escassa. “A grande vantagem da pele de tilápia é que ela é usada nas queimaduras como curativo temporário, evitando a contaminação do meio externo, e a perda de líquidos, que desidrata o paciente”, comenta.

Outra vantagem do produto, é que ele diminui os custos do tratamento para os pacientes com curativos e pomadas, pois ela só precisa ser trocada entre 10 a 12 dias. Por ser rica em colágeno a pele de tilápia se torna resistente e elástica, o que ajuda na cicatrização de queimaduras. Ela também diminui a dor e o risco de infecção do paciente.

“Temos empresas em contato conosco e aquela que for escolhida vai registrar o produto na Anvisa, para que essa empresa possa construir a fábrica, produzir e comercializar a pele de tilápia. Estamos em vias de finalizar isso”, acrescenta Edmar Maciel. A pele de tilápia já foi utilizada para tratar úlceras causadas por varizes, e também na reconstrução vaginal após cirurgia de redesignação sexual.

O Povo Online