Líder comunitário morre, deixa dívida de R$ 13 mil e 250 pessoas ficam sem água

Líder comunitário morre, deixa dívida de R$ 13 mil e 250 pessoas ficam sem água


Cerca de 238 famílias de quatro comunidades rurais do município de Crato, no Cariri cearense, tiveram o abastecimento de água interrompido, nesta semana, por inadimplência junto à Enel. Segundo os moradores, mesmo com o pagamento regular pelo Sistema Integrado de Saneamento Rural (Sisar), o bombeamento no poço profundo no Sítio Baixio dos Robertos foi interrompido, por falta de energia elétrica.

Segundo moradores, a água foi cortada na última terça-feira (1º). O presidente da associação comunitária, responsável pelo recolhimento do dinheiro e pelos vencimentos, morreu há um mês após complicações da Covid-19. A família não sabe o que aconteceu com os cerca de R$ 13 mil arrecadados.

O mecânico Ramon Amorim, um dos prejudicados, explica que a comunidade tem todos os comprovantes de pagamento, onde estão incluídos os serviços de abastecimento e energia elétrica da bomba. “De uma hora pra outra foi cortada. Fomos surpreendidos”, afirma. O morador garante que a comunidade não sabia que o Sisar fazia o repasse do valor recolhido ao presidente da associação de moradores, Francieldo Caetano, que faleceu em 14 de julho. 

Santana explica que o presidente da Associação do Baixio dos Robertos - no caso, Francieldo, deveria pagar as contas de energia do sistema de abastecimento. O repasse é feito, preferencialmente, na conta bancária da entidade, mas, quando não há, pode ser depositado na conta pessoal do presidente, com assinatura dos diretores. Todos os documentos precisam ser autenticados em cartório.

“Quando identificamos, em março, entramos em contato com ele, que ficou de resolver, mas logo em seguida teve Covid-19. Ele pediu um tempo, se afastou e logo ficou hospitalizado. Até que veio a óbito”, narra Marília. O Sisar entrou em contato com a família de Francieldo sobre os valores. Uma irmã do presidente da associação, que tinha acesso a conta, mostrou que o dinheiro havia sido sacado. “Eles ficaram de entregar o extrato e depois se negaram”, lamenta.

Diário do Nordeste