Um em cada quatro brasileiros não tem certeza se tomará vacina

Um em cada quatro brasileiros não tem certeza se tomará vacina


Enquanto milhões em todo o mundo torcem para a rápida aprovação de uma vacina contra a covid-19, um em cada quatro brasileiros resiste à ideia de tomar o imunizante quando ele for registrado. É o que mostra uma pesquisa inédita da ONG Avaaz feita pelo Ibope.

Mil pessoas foram entrevistadas entre os dias 27 e 29 de agosto em todas as regiões do país. Do total de participantes, 75% disseram que tomarão a vacina com certeza, 20% afirmaram que talvez tomem e 5% relataram que não receberão o imunizante de jeito nenhum. Isso indica, portanto, que 25% dos entrevistados se recusam ou se dizem incertos sobre a imunização. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

O Ibope também buscou saber as razões para a recusa ou desconfiança na vacina. Entre as principais estão dúvidas quanto à segurança e à eficácia do imunizante e teorias da conspiração das mais diversas, como a de manipulação genética ou implantação de um chip por meio da vacina e até a hipótese de que o produto seria feito com fetos abortados.

As narrativas, sem nenhuma evidência científica e já desmentidas por agências de checagem, são comuns em postagens nas redes sociais que propagam fake news. Para Laura Moraes, coordenadora de campanhas da Avaaz no Brasil, a disseminação de desinformação sobre covid-19 já está ameaçando uma eventual política de vacinação contra o coronavírus. “Os números da pesquisa são assustadores. Mostram que, antes mesmo de termos uma vacina aprovada, alguns grupos já estão articulados nas redes para espalhar informações falsas, sem embasamento teórico ou científico, que colocam medo nas pessoas”, disse.

Nas redes sociais, teorias conspiratórias sem nenhum vínculo com a realidade alimentam a propagação de falsas alegações sobre a segurança e os efeitos das vacinas. Antes restritos a certos nichos, os rumores sobre o tema ganharam impulso no Brasil graças à estratégia bolsonarista de politizar o debate em torno da pandemia da covid-19.

Estadão Conteúdo