Animais queimados no Pantanal recebem curativos de pele de tilápia do Ceará; veja fotos

Animais queimados no Pantanal recebem curativos de pele de tilápia do Ceará; veja fotos


Oito animais feridos durante as queimadas no Pantanal, no Mato Grosso, já receberam aplicação da pele de tilápia para cicatrização das lesões. Aplicada pela primeira vez em animais silvestres, a técnica cearense foi levada ao Centro-Oeste por uma equipe de três pesquisadores, e dezenas de outros animais queimados devem receber os curativos biológicos, cujo uso foi iniciado na última terça-feira (6).

Os cientistas cearenses Felipe Rocha, biólogo; Behatriz Odebrecht, médica veterinária; e Silva Júnior, enfermeiro, levaram à região um total de 130 peles de tilápia. Um veado-catingueiro, um tamanduá-bandeira, três antas, uma cobra sucuri, um queixada e outro animal não informado já receberam a intervenção.

Silva Júnior, que atua no Projeto Pele de Tilápia há cerca de cinco anos, explica que, em alguns animais, serão necessárias trocas do curativo biológico, diante da profundidade dos ferimentos. “Deixaremos nosso estoque aqui, e temos mais peles disponíveis na UFC. Caso seja preciso, enviaremos”, destaca. Apesar da seriedade das queimaduras, a técnica tem mostrado eficácia. 


Conforme Dr. Edmar Maciel, o cenário é desafiador, já que as queimaduras atingem grandes áreas dos corpos dos animais. “Eles estão caminhando na floresta que pegou fogo, e quando pisam queimam as patas – ou a cobra, o corpo inteiro. São animais de grande porte, geralmente queimam as quatro patas. O procedimento demora até seis horas, entre anestesia e finalização”, calcula o médico.

O uso da pele dos peixes de água doce em queimaduras, inicialmente, e depois em feridas, cirurgias ginecológicas e outras aplicações regenerativas é estudado há seis anos. Além do Ceará, as pesquisas são desenvolvidas em mais seis estados e em sete países, como informa Dr. Edmar Maciel.

O “curativo biológico temporário” começou a ser utilizado em mais de 50 pacientes do Núcleo de Queimados do Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza, e foi expandido para outras localidades. Recentemente, todo o estoque de 40 mil cm² de pele de tilápia foi oferecido ao Líbano, para ajudar no tratamento de queimaduras das vítimas da explosão que deixou milhares de feridos, na capital Beirute.


Diário do Nordeste