Entenda a matemática eleitoral, que definirá quem entra e quem fica na Câmara Municipal

Entenda a matemática eleitoral, que definirá quem entra e quem fica na Câmara Municipal


Engana-se quem acha que eleição se resume apenas em votação. Pelo contrário. Durante todo o período eleitoral é possível observar inúmeros cálculos matemáticos, sejam para parciais ou na contabilização dos votos - válidos e descartados, brancos e nulos. 

Na média aritmética ao final dos cálculos, nem sempre o candidato com maior número de votos é eleito, o que gera confusão na cabeça de alguns eleitores, mas faz sentido dentro do sistema proporcional.

Quem explica a lógica por trás disso é o quociente eleitoral, cálculo que leva em consideração os votos válidos para definir a quantidade mínima de eleitores que um candidato precisa obter para garantir a vaga. Vale lembrar que neste ano, mudanças na legislação eleitoral simplificaram a aplicação do valor. 

Para entender melhor como fica a escolha dos prefeitos e vereadores, os cálculos envolvidos nisso e todo o sistema eleitoral nas eleições municipais, fique atento ao fio abaixo: 

1. Votos válidos
São contabilizados tanto para a eleição de prefeitos como para a de vereadores apenas os votos válidos, ou seja, quando o eleitor vota na legenda ou nominalmente no candidato.  

2. E os votos brancos ou nulos?
Os votos nulos ou brancos são desconsiderados em todos os cálculos feitos para a determinação de quem serão os candidatos eleitos. Uma eleição não pode, por exemplo, ser anulada se tiver mais votos brancos do que válidos, porque só serão contabilizados os válidos.

3. Sistema Majoritário 
Os prefeitos são eleitos a partir do sistema majoritário. Nele, vence a eleição quem obtiver a maioria absoluta dos votos - ou mais de 50% dos votos válidos - ganha as eleições. Quando isto não ocorre no primeiro turno, os dois candidatos mais votados concorrem ao segundo turno. 

4. E os vereadores?
Os vereadores são eleitos por meio do sistema proporcional. Nele, não basta o candidato ser bem votado. Cada partido precisa alcançar um mínimo de votos para eleger um candidato, o quociente eleitoral. Depois disso, os vereadores eleitos serão escolhidos dentro do partido por meio do quociente partidário. 

4.1. Quociente eleitoral
Em uma eleição proporcional, o eleitor vota, antes de tudo, no partido. E para determinar quantas cadeiras cada partido terá, é feito o cálculo do quociente eleitoral. Nele, é dividido o total de votos válidos pelo número de cadeiras da Câmara Municipal de cada cidade. 

4.2. Quociente partidário
Então, quantas cadeiras cada partido vai ter? Para saber isso, é preciso determinar o quociente partidário. Nele, o número de votos de cada partido (votos de legenda + votos nominais) é dividido pelo quociente eleitoral. Qualquer casa decimal deve ser desprezada no resultado.

5. E as vagas que sobram?
Nem sempre, a divisão das cadeiras a partir do quociente partidário resulta em um número fechado, deixando vagas não preenchidas. Para saber quem fica com as cadeiras restantes é feito o “cálculo das sobras”. Esse é um pouco mais complicado. Desta vez, divide-se o total de votos do partido pelo número de cadeiras que a legenda já conquistou mais um. Quem obtiver a maior média, conquista a vaga. 

6. Existe mínimo de votos? 
Na eleição para prefeitos, não existe mínimo de votos para os prefeitos serem eleitos, desde que haja pelo menos um voto válido. É necessário apenas que o candidato tenha conquistado mais de 50% de votos válidos. Já na disputa para vereador, foi estabelecido que, para ser eleito, o candidato precisa ter obtido, pelo menos, 10% do quociente eleitoral. Portanto, se o quociente eleitoral é de 10 mil votos, o candidato precisa ter tirado pelo menos 1 mil votos para poder ocupar a cadeira na Câmara. 

7. E, no fim, quem é eleito?
Definido o número de cadeiras que cada partido irá ocupar para a próxima legislatura, irão ocupar as vagas os vereadores mais votados de cada legenda.

Diário do Nordeste