O Ceará está sob uma segunda onda do coronavírus? Especialistas explicam

O Ceará está sob uma segunda onda do coronavírus? Especialistas explicam


O aumento de casos do novo coronavírus em países como Alemanha, Espanha, Itália e França destacam uma possível segunda onda dos índices da pandemia. Medidas como o lockdown, já desmentidas no Ceará, foram protocolos que atuaram na primeira onda no Estado e ajudaram a controlar os números, infecções e mortes. Mas meses após a medida, há a possibilidade de uma segunda onda cearense de Covid-19?

Na epidemiologia, a segunda onda de uma doença infecciosa já é normalmente prevista por especialistas. Isso porque na primeira onda, tudo é novo: o vírus, a forma de lidar com os pacientes, os protocolos sanitários, o acesso aos testes - tudo isso trazia medo e um certo desconhecimento. Mas na segunda situação, já estamos mais cientes de tudo que está acontecendo e de como devermos nos proteger da doença.

Esse cenário permanece por meses e é chamado informalmente como "período da lua de mel", no qual há uma redução dos índices da doença após uma crise extrema. O momento do Ceará é de queda nos números da Covid-19, mas o aumento de 30% em internações no hospital Unimed Fortaleza também estão dentro da realidade.

Para a enfermeira epidemiológica e professora do curso de Medicina da Unichristus, Daniele Queiroz, ainda não é possível afirmar a segunda onda da pandemia no Ceará. Apesar da possibilidade do vírus circular com mais força após o primeiro momento, temos acesso a mais testes e novidades no sistema de saúde. "Houve incremento de casos suspeitos reportados, mas ainda não podemos confirmar as alterações. O que podemos enxergar é que, diferentemente da primeira onda, ela não acomanaha a mesma característica para os óbitos".

Ao mesmo tempo em que há um crescimento de casos, os óbitos pela doença são menores. Ainda nesta manhã, o Ceará registrou 448 casos da Covid-19, mas não registrou óbitos nas últimas 24 horas. 

Mas por que então o aumento dos casos? Fatores como feriados prolongados, reabertura de setores econômicos, eleições e não cumprimento de protocolos preventivos diretamente influenciam nos números. Se na primeira onda os cearenses tinham medo e total desconhecimento da doença e suas recomendações, agora o cenário é um tanto quanto diferente.

A enfermeira alerta para um possível aumento dos números de casos após semanas do fim do período eleitoral. "Todo o Brasil está passando por um cenário político e tem um mesmo ponto: estão negligenciando o uso de máscaras", alerta. "A impressão é de piora devido aos eventos, porque conhecemos o nosso tipo de política: são eventos em que as pessoas sempre querem algo em troca e começam a se aglomerar, negligenciando a higiene".

O POVO Online