Sesa rebate Consórcio Nordeste e diz que "ainda não é possível falar" em 2ª onda no Ceará

Sesa rebate Consórcio Nordeste e diz que "ainda não é possível falar" em 2ª onda no Ceará


A Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) informou em comunicado, na manhã deste sábado (24), que ainda não é possível afirmar a possibilidade de uma segunda onda da Covid-19 no Ceará. A informação bate de frente com a análise feita pelo Comitê Científico do Consórcio Nordeste, divulgada nesta sexta-feira (23). A pasta estadual declarou que vem acompanhando diariamente a evolução dos casos de Covid-19 no Ceará e observa uma flutuação geográfica das estatísticas. 

"Há pequenos surtos localizados, seguidos por uma queda nos registros, a exemplo do que aconteceu recentemente em áreas como o Cariri e Crateús. Mas há também aumento de casos em outras regiões, a exemplo da Região da Saúde de Fortaleza, onde na semana passada foram registrados 743 novos casos (crescimento de 72% em relação à semana anterior) nos 44 municípios da área, uma média de 106 por dia", diz a Sesa em nota.. 

Mesmo não apontando uma segunda onda, a pasta de saúde afirma uma maior circulação do vírus em algumas áreas e positividade dos exames realizados. "Apesar desses dados, ainda não é possível falar em uma segunda onda da epidemia no Estado, na medida em que ainda persiste uma tendência de queda no número geral de casos. A Secretaria segue avaliando o cenário epidemiológico e reafirma a importância da adoção de cuidados por parte da população cearense, no sentido de evitar aglomeração, usar a máscara e manter o isolamento social".

Comitê aponta que segunda onda se aproxima
O Comitê cita a reprodução efetiva (R(t)) do coronavírus como fator observado para embasar a possibilidade de uma nova onda. “R(t) maior que 1 é consistente, segundo modelo MOSAIC-UFRN, com uma nova onda, ou uma mudança na metodologia de distribuição dos dados”, diz. O modelo em questão trata-se de um sistema matemático de análise de dados, de acordo com o neurocientista Miguel Nicolelis, coordenador do Comitê.

Usada para acompanhar a possibilidade de novas infecções, a reprodução efetiva indica para quantas pessoas saudáveis um infectado pode transmitir a doença e está dividida em níveis: na baixa transmissão, a possibilidade de infecção oscila entre zero e 0,5 pessoas; na média transmissão, a potencialidade está entre 0,5 pessoas e 1 e, finalmente, para ser considera como alta transmissão, os valores da R(t) devem ultrapassar o mínimo de uma nova pessoa infectada. 

Diário do Nordeste