Ceará corre risco de apagão como o do Amapá? Especialistas respondem

Ceará corre risco de apagão como o do Amapá? Especialistas respondem


O incêndio em uma subestação em Amapá fez com que boa parte do estado tivesse o fornecimento de energia suspenso. As dificuldades já duram 7 dias. Mas, no Ceará, as chances de algo parecido ocorrer, segundo especialistas consultados pela reportagem, são remotas. Com uma diversidade maior de subestações e linhas de transmissão, o fornecimento de luz no Estado é considerado muito mais robusto.

De acordo com o Jurandir Picanço, consultor de energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), o Ceará desenvolveu, ao longo dos últimos anos, uma estabilidade muito maior quando o assunto é segurança energética. Ele afirmou que, caso algo semelhante viesse a acontecer por aqui, o sistema teria capacidade de redirecionar a demanda para outras unidades geradoras e fazer com que o "blackout" durasse apenas algumas horas.

"A situação no Ceará é completamente diferente em relação ao Amapá, que é abastecido por uma única linha de transmissão e uma só subestação. É um problema sério, mas é preciso apontar responsabilidades. Havia apenas uma reserva, e essa reserva estava inoperante. É uma situação muito peculiar lá no Amapá. Aqui nós temos várias linhas de transmissão, assim como é no Brasil quase todo. Mas lá no Amapá é diferente porque eles estão muito isolados", explicou. 

Segundo o secretário executivo de energia e telecomunicações do Governo do Estado, Adão Linhares, a situação no Amapá foi potencializada pelo caráter específico da linha de transmissão na região. Segundo ele, o equipamento conta com uma complexidade muito grande já que foi desenvolvida para não causar danos à vegetação florestal. Contudo, essa especificidade acaba gerando riscos à linha. 

"A situação do Amapá é muito específica porque é uma linha de transmissão altíssima, cheia de cuidados por conta da floresta. O Brasil tem características diferentes em tudo que é lugar, mas aqui no Ceará, e no Nordeste como um todo, a situação é completamente diferente: todas as subestações tem redundância dupla, então se falhar de um lado, chega de outro", explicou.

Diário do Nordeste