Justiça proíbe enfermeira de morar com o filho na pandemia da Covid-19 por risco de contaminação

Justiça proíbe enfermeira de morar com o filho na pandemia da Covid-19 por risco de contaminação


A Justiça determinou que uma criança de 7 anos more com o pai e não mais com a mãe, em Mato Grosso. Eles são separados há nove meses e a profissão da mãe foi um dos motivos da decisão judicial: ela é enfermeira. Para a Justiça, ela pode levar o coronavírus para casa e contaminar a criança.

Com a chegada da pandemia, ela foi para a linha de frente. No começo da pandemia, a enfermeira conversou com o ex-marido, que mora no Paraná, e combinaram que o filho ficaria com o pai por alguns meses por questões de segurança.

Quando se separaram, há dois anos, os pais fizeram um acordo na Justiça: a enfermeira pôde morar com o filho, em Mato Grosso. O ex-marido, que é DJ e técnico de enfermagem, vive no Paraná e ficava com o menino nas férias. “Meu filho foi na promessa e na palavra dele de que, quando as coisas se estabelecessem mais um pouco, em junho para julho, meu filho retornaria”, contou. Mas menino não voltou e está com o pai desde março.

“São quase 9 meses sem poder ver, sem poder abraçar. No começo eu não tinha impedimento de falar com ele por vídeo, por telefone. Mas começou a chegar a um momento que ou ele não estava, ou ele está ocupado, ou ele está brincando”, disse a enfermeira. Segundo a enfermeira, o pai da criança estaria agindo assim por causa do trabalho dela na pandemia. 

Há duas semanas, uma juíza de primeira instância concedeu a chamada "tutela de urgência" ao pai. Ou seja, o menino pode continuar morando com o pai, no Paraná. Na decisão, a juíza fala que está "configurado o perigo de dano, sobretudo diante da profissão exercida pela mãe, enfermeira, e pelo fato de a pandemia da Covid-19 ainda não estar controlada em nenhum estado da federação."

“Eu não posso ser mãe e ser enfermeira? Eu vou ter que deixar minha profissão para poder cuidar do meu filho? Me pegou de surpresa, me deixou indignada, não só como mãe porque eu estou sendo impedida de chegar perto do meu filho, mas por conta de ser uma profissão que foi primordial nesse período de pandemia”, lamentou.

G1