Sentimento de “traição” com aumento do diesel impulsiona greve dos caminhoneiros

Sentimento de “traição” com aumento do diesel impulsiona greve dos caminhoneiros


O segundo aumento do ano no preço dos combustíveis, anunciado na terça (26/1) pela Petrobras, está movimentando grupos de caminhoneiros no WhatsApp e fomentando a adesão a uma grave que já estava marcada para o dia 1° de fevereiro, mas que divide a categoria. Lideranças dos transportadores dizem que vinham dialogando com o governo para frear novos aumentos nos custos e se sentiram traídos pelo anúncio de reajuste de 4,4% no diesel nas refinarias, que equivale em média a um aumento de R$ 0,09 por litro nas refinarias – nas bombas, a alta pode ser maior.

O reajuste no diesel num momento em que os caminhoneiros acreditavam ter um compromisso do governo é uma “ferramenta para agitar a greve”, segundo o assessor executivo da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Marlon Maues. A entidade vem desencorajando a greve e insistindo no diálogo com o Ministério da Infraestrutura, mas Maues conta que a insatisfação dos profissionais está muito alta.

Os caminhoneiros também protestam contra o reajuste na tabela do frete anunciada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) no último dia 19 de janeiro, com um aumento médio que varia de 2,34% a 2,51%, considerado insuficiente pela categoria para cobrir os custos. Sobretudo com mais um aumento no diesel.

Liderança do setor, o caminhoneiro Alexandre Batista Patrício, o Mão Branca, ex-candidato a vereador de Paulínia (SP), conta que os colegas estão indignados e esperando uma orientação mais certeira sobre o que fazer. “Um monte de gente vai parar. Aqui em Paulínia a gente está esperando, mas a chance de adesão é grande, porque com um diesel nesse preço como é que faz para trabalhar? Não tá dando”, protesta ele, que atua no polo petroquímico da região.

A representação dos caminhoneiros é pulverizada e há lideranças mais radicais, que ameaçam uma greve “maior do que a de 2018“, no governo de Michel Temer (MDB), que só terminou quando as Forças Armadas forçaram os grevistas para fora das pistas e acostamentos. Nos grupos de aplicativos de mensagens, circulam áudios explosivos, supostamente de caminhoneiros, que chegam a convocar para “tocar fogo em carro, em ônibus”.

Metrópoles