Vendedor com deficiência é agredido por praticante de muay thai ao cobrar dívida, no interior do Ceará

Vendedor com deficiência é agredido por praticante de muay thai ao cobrar dívida, no interior do Ceará


Um vendedor de 34 anos, que possui uma deficiência em uma das mãos, foi agredido na casa de um cliente na zona rural da cidade de Russas, no interior do Ceará, ao cobrar uma dívida de R$ 1.120. O suspeito das agressões tem 29 anos, é praticante de muay thai e foi preso pela Polícia Militar de posse de uma arma de fogo. Durante o último quinta-feira (07), conforme o delegado Vinicius Meireles, ele foi posto em liberdade em uma audiência de custódia, após pagar uma fiança de R$ 10 mil.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, o suspeito não tinha antecedentes criminais. Ele foi preso em flagrante e autuado pelos crimes de lesão corporal, posse ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O caso foi registrado e encaminhado ao Poder Judiciário para adoção das medidas cabíveis.

Segundo Francisco Alex de Carvalho, o lutador era seu cliente há 10 anos e em março do ano passado comprou perfumes e uma carteira importada. “Depois que fiz a venda ele não atendeu mais minhas ligações, não retornava, mandei mensagens para o pai dele pedindo que ele acertasse comigo ou pedisse ao filho que acertasse, mas o pai dele disse que não podia se responsabilizar”, afirma.

Conforme Alex, que trabalha viajando por municípios do interior do Estado, depois de várias tentativas ele conseguiu falar com o lutador, que pediu ao vendedor que fosse à sua casa. “Ele (lutador) disse ‘quando chegar em Russas a gente se acerta’. Ele já estava com raiva porque eu falei com o pai dele, mas eu não sabia do que ele era capaz de fazer”, disse.

Ao ir à casa do suspeito, no Sítio Pepacunha, Alex foi recebido pelo tio e os pais do lutador, que chamaram o suspeito para falar com Alex.

“Ele me chamou até a parte de dentro da casa, me questionou por eu ligar para o pai dele cobrando e justifiquei que já havia passado cerca de 10 meses da compra, e ele ainda não pagou nenhuma quantia e nem respondia. Foi quando ele falou ‘pois tu mexeu com doido’ e já deu um chute em mim e um murro. Aí a pistola que estava na cintura dele caiu no chão”, relembra.

'Iria me matar e me enterrar em um terreno'
Depois de ser atingido pelos primeiros golpes, Alex ficou caído em um cômodo da casa do suspeito, enquanto o lutador continuava as agressões. “Ele saiu dando chutes e murros em mim e me levando para o final da casa dele, onde tem um terreno baldio. Ele mandou eu ir para o terreno e disse que iria me matar e me enterrar lá”.

Pai de quatro crianças, Alex tentou usar isso como justificativa para o homem poupar a sua vida, mas, de acordo com ele, o suspeito não se comoveu.

"Quando eu vi que ele já estava quase no local onde disse que iria me enterrar eu quis correr e ele disse que se eu corresse iria me matar. Então fui voltando para o mesmo canto onde comecei a apanhar vi o pai dele só observando a cena e pedi socorro. Nesse momento, ele deu uma sequência de quatro a cinco murros na minha boca. Saía sangue do nariz, da boca, os meus olhos eu já não conseguir ver direito, era embaçado, fechando de tanto murro. Ele deu mais de 30 murros na minha cabeça, fora os chutes", relata o vendedor.

Alex afirma que as agressões duraram cerca de 20 minutos e só terminaram quando o pai do suspeito pediu ao filho para parar.

“O pai dele pediu para deixar eu ir embora, e ele disse que não deixaria, pois eu já estava todo ferido e se saísse iria denunciar eles. Então, seria melhor me matar, enterrar no quintal, dar fim ao meu carro e ninguém saberia o que aconteceu. Passei mais de 20 minutos sendo torturado, ameaçado, agredido e em cárcere privado, pois eles não me deixavam sair de lá. Enquanto o pai dele conversava, ele batia em mim, colocava a pistola na minha cabeça”.

Prisão
Alex teve ferimentos no rosto, na boca e na cabeça. Após sair da casa, o vendedor procurou a Delegacia Regional da Polícia Civil de Rusas e denunciou o caso.

No mesmo dia do ocorrido, agentes do Comando de Policiamento de Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas (CPRAIO) foram à residência do lutador, onde encontraram uma pistola, ainda na maleta de fábrica, guardada no cofre da casa.

O homem foi preso e autuado por posse ilegal de arma de fogo, lesão corporal e constrangimento ilegal. Um dia depois, o lutador foi liberado durante uma audiência de custódia.

O delegado Vinícius Meireles, da delegacia Regional de Russas, afirma que tanto o suspeito, como o pai dele, foram ouvidos, e as investigações sobre o caso estão em andamento. “As informações que ele passou estão no inquérito, não podemos divulgar. O pai dele também foi ouvido, mas não na condição de suspeito. Tudo está sendo apurado”.

Alex teme pela vida após o lutador ser colocado em liberdade. “Ele já foi solto. Tu acredita na impunidade? E eu aqui morrendo de medo, pensando em ir embora da cidade, porque o cara que fez tudo isso comigo está solto e pode fazer mal a mim. Tenho minha residência, tenho meu comércio, tenho minha vida, tenho minha família e vou precisar ir embora”, lamenta o vendedor.

G1 - CE