COLUNA: O bombardeio Netflix em 2021

COLUNA: O bombardeio Netflix em 2021


A essa altura do campeonato, não é novidade pra ninguém que a pandemia afetou de forma drástica a indústria cinematográfica. Com os cinemas fechados por meses, os estúdios precisaram reinventar a distribuição de seus filmes para não perder totalmente o lucro e não sofrer prejuízos de seus projetos, tanto por custos de gravações como por material de divulgação. Nesse sentido, os serviços de streamings que há muito tempo vivem em constante crescimento, viram uma alta de consumidores, como uma forma de suprir a carência de ir assistir um longa-metragem no escurinho do cinema.

E funcionou. A Amazon garantiu um queridinho cult com A Vastidão da Noite e a Netflix entregou filmes como The Old Guard, Destacamento Blood e O Diabo de Cada Dia, que caíram na boca do povo, gerando discussões e pessoas ansiosas em mais lançamentos de peso para  o streaming. 

É impossível negar que quem se saiu (e que ainda está se saindo) melhor nessa crise são os streamings, e agora mais do que nunca, eles vêem uma oportunidade de crescerem ainda mais, e sair de vez da sombra e do preconceito que a velha guarda tem com os serviços, que já começou a ser deixado um pouco de lado quando grandes premiações da indústria como o Oscar, se viram obrigadas a ter produções de streaming concorrendo com lançamentos do cinema.

Foi então que, em 12 de janeiro de 2021, a Netflix fez um anúncio bombástico. Com direito a uma apresentação por Ryan Reynolds (Deadpool), Gal Gadot (Mulher Maravilha) e Dwayne Johnson (Velozes & Furiosos), o serviço revelou que pretende lançar em 2021 uma quantidade impressionante de 70 filmes por semana até o fim do ano, sendo 52 produções em inglês, 10 em outro idioma e oito animações. 

O ambicioso projeto da empresa vem como um plano para tornar o serviço como um verdadeiro cinema em casa, com lançamentos semanais, contando com grandes estrelas, entre elas, Leonardo DiCaprio (Era Uma Vez Em Hollywood), Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes), Timothee Chalamet (Me Chame Pelo Seu Nome), Cate Blanchett (O Senhor dos Anéis), Chris Evans (Os Vingadores), Meryl Streep (O Diabo Veste Prada), Jonah Hill (O Lobo de Wall Street), entre outras.

O grande catálogo de lançamentos vem com o intuito de bater de frente com os streamings em ascensão como Disney+, HBO Max e os demais que surgiram com o iminente sucesso do serviço e que prometem uma verdadeira guerra para fisgar os espectadores que mais se interessarem por conteúdo x ou y. Ter grandes nomes da indústria em sua vitrine ajuda muito a ter um chamariz para os filmes, mas é importante frisar que este é um plano bastante ousado, pois a probabilidade de haver vários filmes de sucesso é bom, como também pode acontecer o contrário da maioria não obter êxito. 

O fato é que toda semana os mais diversos consumidores da Netflix poderão consumir filmes dos mais variados gêneros. Cada vez mais há uma vontade dos serviços de streaming de realmente se tornarem uma alternativa para o cinema, o que é uma missão bastante difícil, já que o cinema tradicional já está por aí a mais de 100 anos, e pouca coisa conseguiu causar uma mudança drástica em seu formato padrão. 

A pandemia pode se encaixar nessas poucas coisas, pois de fato estremeceu as estruturas dessa arte. Mesmo que saibamos que a pandemia não irá durar pra sempre, ela modificou muita coisa em tudo, e o cinema não ficou isento disso. Se essa decisão da Netflix foi acertada somente o tempo dirá, mas é fato que essa foi uma jogada bastante ousada e que talvez vire uma tendência para os outros serviços.

Gabriel Araújo