Conheça as cidades brasileiras que viraram exemplo durante a primeira onda da Covid-19; confira as medidas impostas

Conheça as cidades brasileiras que viraram exemplo durante a primeira onda da Covid-19; confira as medidas impostas


Alta da inflação, fim do auxílio emergencial, lockdown e briga por leitos de hospital. O cenário da segunda onda da Covid-19 no Brasil não é favorável em nenhum âmbito social, principalmente para a classe média e baixa do país. 

Devido ao grande aumento de casos, os brasileiros têm dividido opiniões sobre o que fazer para frear os óbitos e consequentemente o caos no sistema de saúde público e privado. Em muitos estados, fechar o comércio não se torna uma opção devido à falta de renda e sustento das famílias, em outros, toque de recolher e multas para quem não usar máscara, são uma realidade que voltou à tona no início de 2021. 

Em meio a tantas dúvidas, é possível relembrar que inúmeras cidades brasileiras passaram pela primeira onda da Covid-19 sem um exorbitante número de mortes e sem a quebra da economia. Ainda em junho de 2020, cidades brasileiras como Florianópolis, Fernando de Noronha, Niterói e Porto Alegre se destacaram frente à crise nacional por terem conseguido frear a pandemia. Mas quais medidas foram tomadas?

Florianópolis
A capital de Santa Catarina, cuja população é de 500 mil habitantes, decretou o isolamento social em 13 de março, um dia após ser registrado o primeiro caso do município. Depois, começaram a multar quem descumprisse as normas sanitárias, mediam o nível de isolamento social, identificaram as redes de contato de quem testava positivo e criaram um serviço de telemedicina que atendeu cerca de 60 mil. Não houve registros de mortes por 32 dias consecutivos. 

Fernando de Noronha
Fernando de Noronha, um dos maiores pontos turísticos do país, também chegou a zerar o número de casos da covid-19 ainda durante a primeira onda da doença. Por lá, os pontos comerciais foram fechados e o turismo foi suspenso com o fechamento do aeroporto. Pela preocupação com a saúde mental dos moradores, que ficaram isolados do restante de Pernambuco por três meses, a administração divulgou o telefone de três psicólogas contratadas para fazer atendimento remoto.

Niterói
Na mesma semana em que a cidade de Wuhan, na China, contabilizava os seus primeiros casos da doença, um comitê foi montado em Niterói, no Rio de Janeiro, para garantir resposta rápida caso o vírus chegasse ao Brasil. Era apenas uma medida preventiva, mas que acabou destacando o município como um modelo de boa gestão frente à crise. 

Entre as ações adotadas, Niterói anunciou que pagaria uma bolsa de R$ 500 aos moradores mais pobres – isso ocorreu quando o governo federal ainda discutia se iria oferecer o Auxílio Emergencial, cogitado à época em R$200. O município carioca montou também o primeiro hospital exclusivo do país para o atendimento de pacientes, abrindo 140 leitos de enfermaria e UTI e contratando 1.300 funcionários da saúde de forma emergencial via chamamento público.

Outra política adotada pela prefeitura foi a testagem em massa de seus 500 mil habitantes. No início de abril, adquiriu um lote de 40 mil testes, e depois mais um com a mesma quantidade, totalizando 80 mil testes, o que corresponde a 16% da população.

Porto Alegre
O sucesso da capital gaúcha para frear a doença deve-se à quantidade de leitos disponibilizados pela gestão municipal, que chega a mais de 600 UTI’s (2,4 para cada 10 mil habitantes), e decretos anunciados cotidianamente para estimular o isolamento social. Foi realizado, também, um mutirão de vacinas contra a gripe, chegando a 40% dos habitantes vacinados, segundo a secretaria de Saúde de Porto Alegre. 

Também foi ampliado o número de testes com a compra de novas remessas e, enquanto as grandes capitais reabriam o comércio, como São Paulo e Rio de Janeiro, pela cidade gaúcha, ainda está vedado a abertura de centros comerciais.

Em quase 12 meses de pandemia, a segunda onda da Covid-19 chegou para relembrar a força do coronavírus em meio as aglomerações e disputas políticas. Em um cenário diferente em 2021, é possível sentir um sopro de esperança com o início da imunização dos grupos prioritários, mas um longo caminho a percorrer com as novas variações do Sars-CoV-2. Sem a conscientização de cada um, não irá ter vacinas o suficiente e nem governantes que consigam impedir uma possível terceira onda.