Nicolelis afirma grande chance do Brasil entrar em colapso e defende lockdown de 21 dias

Nicolelis afirma grande chance do Brasil entrar em colapso e defende lockdown de 21 dias


O neurocientista Miguel Nicolelis defendeu a necessidade de um lockdown nacional imediato, de 21 dias, em virtude da grave situação epidemiológica da Covid-19 no Brasil. O médico também afirmou ver uma grande chance de um “colapso nacional”. Em entrevista ao Jornal O Globo, Nicolelis disse que “a população precisa acordar para a dimensão da tragédia”. O cientista alertou as autoridades e orientou as medidas a serem tomadas, em especial a um necessário lockdown, desde dezembro do ano passado.

O neurocientista aponta que “efeitos sincronizadores” são a causa do colapso do sistema de saúde em vários estados, entre eles as festas de fim de ano, as eleições e o Carnaval. A situação se difere da primeira onda da doença no país, já que não ocorreram eventos similares na época.

“Agora, tudo está explodindo ao mesmo tempo. Isso significa que não não tem medicação, não tem como intubar, não vai dar para transferir de uma cidade para outra, não vai ter como transferir para lugar nenhum. A consequência do colapso de saúde é o colapso funerário. Cientistas não olham só o presente, mas olham o futuro, enquanto o político está pensando no hoje, em como resistir à pressão do setor X para não fechar, a despeito das mortes”, argumenta Nicolelis.

Ainda segundo o médico, ele destaca que o colapso não vai ocorrer em todas as regiões, mas em boa parte das capitais. “Não é que todo canto vá colapsar, mas boa parte das capitais pode colapsar ao mesmo tempo, nunca estivemos perto disso. Se eliminar o genocídio indígena e a escravidão, é a maior tragédia do Brasil”, comenta.

“Eu tenho me perguntado muito: qual é o valor da vida no Brasil? Que valor os políticos dão para a vida do cidadão se não fecham as atividades num lugar com 100% de ocupação dos leitos? O que mais me assusta é o pouco valor à vida. Porque, quando alguém vai a uma festa clandestina de fim de ano, de carnaval, se aglomera numa balada ou à beira do campo de futebol, não compromete só sua saúde, mas a vida dos seus familiares, seus vizinhos e das pessoas que nem conhece. Nossa sociedade em algum momento perdeu a conexão com o quão irreparável é a vida”, disse o médico ao O Globo.

O POVO Online