COLUNA: Apelo de Lisca Doido pela paralisação do futebol não é ‘loucura’

COLUNA: Apelo de Lisca Doido pela paralisação do futebol não é ‘loucura’


Na última quarta-feira, 03, o técnico do América-MG, Lisca, desabafou em rede nacional, antes do jogo da equipe que o mesmo comanda, fazendo um apelo às autoridades da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pela paralisação do esporte no país, devido a situação que vivemos hoje, em razão da pandemia do Covid-19. O treinador ressaltou, ainda, que a Copa do Brasil não tem condições de ocorrer, diferente do Campeonato Mineiro, segundo ele, por ser “mais perto”. 

Acompanhe as palavras de Lisca: “É quase inacreditável que saiu uma tabela da Copa do Brasil hoje, com jogos dia 10, 17, com 80 clubes que nós vamos levar jogadores, com delegações de 30 pessoas para um lado para o outro do país. O nosso país parou, gente! Não tem lugar nos hospitais. Eu ‘to’ perdendo amigos, ‘to’ perdendo amigos treinadores. Não é hora mais, cara. É hora de segurar a vida, velho. Aqui no mineiro tudo bem, é mais perto. Mas vai pegar uma delegação do Sul e levar pra Manaus. Como que vocês vão fazer isso, gente? Presidente Caboclo (Presidente da CBF), pelo amor de Deus! Juninho Paulista (Coordenador de Futebol da CBF), Tite (técnico da seleção), Cléber Xavier (auxiliar de Tite), as autoridades. Nós estamos apavorados! Pelo amor de Deus!” desabafou o técnico.

Lisca Doido, como é carinhosamente conhecido no mundo do futebol, com tamanha lucidez em sua fala, fez seu “apelido” parecer piada. O treinador, quando entende que sua voz e sua imagem valem muito para causas também fora do esporte, é de um acerto muito grande. O vídeo da entrevista em que ocorreu o desabafo, viralizou e, com certeza, chegou até as autoridades que o treinador gaúcho cita em sua fala. Um movimento, que já existia, mesmo que de forma “tímida”, pela paralisação do futebol, ganha ainda mais força, principalmente com uma figura como Lisca de Porta-voz. 

O Brasil está à beira de um colapso na saúde, devido a pandemia do Covid-19. Fazer futebol, transportando pessoas de um estado para outro, não é uma maneira muito inteligente de lidar com a doença. No momento, devemos primeiro pensar nas vidas, como muito precisamente citou àquele que deu a pauta a este texto.

Vicente Barcelos