Prefeito no Ceará retira cemitério cenográfico de praça pública após embate político

Prefeito no Ceará retira cemitério cenográfico de praça pública após embate político


Uma ação da Prefeitura de Mauriti que, para conscientizar moradores sobre os perigos da Covid-19, simulou um cemitério em praça pública, gerou embate político na Câmara Municipal e foi motivo de manifesto por parte de vereadores de oposição, na região do Cariri.

O prefeito, Isaac Júnior (PT), que pediu a retirada da intervenção nesta quarta-feira (17), reconheceu que a medida foi exagerada, mas disse ter conseguido passar o recado.  

Na Praça da Matriz, funcionários da Prefeitura separaram um canteiro e cobriram a grama com areia, simulando covas. Em cima de cada uma, uma cruz foi colocada, como se ali estivesse sido enterrada uma pessoa vítima de Covid-19. Uma faixa preta com letras brancas, erguida logo acima da intervenção, dizia: “Covid mata, fique em casa”.  

O cemitério cenográfico foi montado na segunda-feira (15) também na entrada do município. E a desmontagem só foi providenciada após repercussão negativa e mobilização na Câmara. 

Críticas de vereadores
A gente tem muita dificuldade de conscientizar a população, a medida educacional foi exagerada. Se fosse fazer novamente, não faria. De qualquer maneira, serviu para repercutir”, explica o prefeito Isaac Júnior.  

Como argumento para a ação considerada impactante, a Prefeitura diz também que a cidade, por fazer divisa com outros estados, tem movimentação alta e, mesmo com o decreto de distanciamento social, há aglomeração nas zonas rurais e urbanas.  

Na Câmara, seis vereadores de oposição - quatro do PDT, DEM e Pros -, assinaram na terça (16) uma carta de manifestação contra o ato. 

“Trazemos nossa manifestação contrária à forma como foi utilizada a campanha preventiva, com a utilização da réplica de um cemitério em praça pública, como se termos os espaços sociais e de lazer já cercados já fossem impactantes o suficiente”, diz a nota. 

Os parlamentares argumentaram ainda que “o que era para servir como alerta, transformou-se no que a psicologia chama de ‘gatilho’, e que provoca crises de ansiedade e pânico”. O grupo pede ainda que outras formas de conscientização sejam pensadas no Município. 
Ainda segundo a Prefeitura, ações como barreiras sanitárias, carros de som na zona rural e campanhas de conscientização continuarão a ser feitas em Mauriti. A cidade conta apenas com um hospital de pequeno porte e, de acordo com a gestão, tem cerca de 100 casos confirmados de Covid-19. 

Os dados da Secretaria de Saúde são de que cerca de 2 mil pessoas foram vacinadas no Município, que tem uma população estimada em 48 mil habitantes. 

Diário do Nordeste