'Vacinação clandestina' que teria custado R$ 600 é investigada pela Polícia Militar

'Vacinação clandestina' que teria custado R$ 600 é investigada pela Polícia Militar


Imagens que flagraram "vacinação clandestina" em Belo Horizonte culminaram no registro de ocorrência pela Polícia Militar de Minas Gerais. A imunização de forma ilegal teria ocorrido na noite da última terça-feira (23) no bairro Caiçara, em uma garagem.  Políticos e empresários mineiros estariam envolvidos no caso, segundo revelou denúncia da Revista Piauí. Cerca de 25 veículos teriam participado do momento. 

De acordo com uma testemunha, que ficará anônima, condutores e passageiros estavam sendo vacinados por uma mulher de jaleco branco. Entre os vacinados, havia também crianças.

Equipes da Guarda Municipal e da Vigilância Sanitária também estiveram no local, junto com a PM, mas nada foi constatado, pois o grupo já havia saído do local. O denunciante disse que iria encaminhar as imagens para a Secretaria Municipal de Saúde;

A prefeitura de Belo Horizonte emitiu nenhuma nota sobre o ocorrido. O inquérito também foi aberto pela Polícia Federal (PF). O Ministério Público Federal em Minas Gerais instaurou nesta quarta um procedimento, chamado “notícia de fato” para apurar o caso.

Valor do imunizante
A reportagem da Piauí apurou que um grupo de empresários e políticos de Minas Gerais, a maioria deles ligados ao setor de transportes, recebeu a primeira das duas doses na terça-feira. O imunizante, comprado por iniciativa própria e sem repassar ao SUS, como previsto em lei, foi o da Pfizer, que ainda não tem registro da Anvisa, e teria custado R$ 600 por pessoa. 

A Pfizer negou a venda e disse que o imunizante ainda não está disponível em território brasileiro.
Ainda segundo a revista, a vacinação foi improvisada em uma garagem da viação Saritur, e pessoas que foram vacinadas teriam apontado os irmãos Rômulo e Robson Lessa, identificados como donos da empresa, como os organizadores. 

A Saritur diz que os dois não fazem parte do corpo de sócios do grupo, que trabalha com transportes urbanos e rodoviários, e que o caso citado na reportagem é "de total desconhecimento da diretoria da empresa"

Envolvimento de políticos
O ex-senador Clésio Andrade, citado na reportagem como um dos vacinados e que confirmou à revista ter recebido a vacina, disse em uma publicação nas redes sociais que não tomou o imunizante e que defende as regras do Ministério da Saúde.

"Aliás, repito que eu preferia que os idosos, como eu, dessem a vez aos mais jovens, que são obrigados a sair de casa para trabalhar", afirma ele.

Através de mensagens no WhatsApp, ele disse desconhecer o assunto e que está em quarentena no sul de Minas, porque foi infectado e teve Covid-19.

O deputado estadual Alencar da Silveira Jr. (PDT), também citado na reportagem, outro dos vacinados segundo relatos ouvidos pela piauí, negou o fato, assim como o fez à revista.

Por meio da sua assessoria, ele lembrou que é um dos signatários da CPI na Assembleia Legislativa de Minas Gerais que apura supostos casos de fura fila da vacinação entre servidores da Secretaria Estadual de Saúde -o caso derrubou o secretário Carlos Eduardo Amaral, que foi imunizado.

"Não vacinei e não tenho conhecimento dessas vacinações citadas na reportagem da piauí. Acho que tem que ser apurado", disse o deputado via assessoria.

Diário do Nordeste