'Balde de água fria' e 'setor não aguenta mais', dizem empresários sobre decreto prorrogado no Ceará

'Balde de água fria' e 'setor não aguenta mais', dizem empresários sobre decreto prorrogado no Ceará


O adiamento do início da flexibilização das medidas restritivas no Ceará, anunciado pelo governador Camilo Santana em live na noite deste domingo (4), frustrou expectativas do comércio e foi considerado um "balde de água fria" no setor.

O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio-CE), Maurício Filizola, aponta que os empresários já vinham se preparando para reabrir a partir desta segunda (05), tendo em vista a sinalização anterior dada pelo próprio governador.

De certa forma, é bem frustrante. Já são 30 dias de comércio fechado. As expectativas eram grandes para o retorno amanhã. Isso traz enormes prejuízos para o empreendedor, que já está fragilizado. A gente entende que a parada por poucos dias, para o governo se reorganizar na saúde, é necessária, mas quando se estende tanto desestrutura todo o comércio. Foi um balde de água fria.

Filizola lembra que o setor tem aprendido ao longo da pandemia, observado os números e se adaptado à realidade para continuar funcionando. "Nós trabalhamos bem, fazemos nosso dever de casa. Até porque já estamos há um ano na pandemia, não aprender com esse período seria burrice. É uma frustração, o tanto de ligação que temos recebido esses dias. Até divulgamos uma pesquisa que mostra que 71% dos empresários são contra o lockdown", ressalta.

Sobre as negociações com o Comitê Estadual de Enfrentamento à Pandemia do Coronavírus, o presidente da Fecomércio-CE revelou que o contato alimentou o otimismo para a reabertura já nesta segunda (05). "Não entendo. Sei que é uma precaução, mas não é uma decisão nossa, só do governo. Dizem que vão conversar com a gente essa semana. Conversar mais o que? Não sei. E o que vamos falar pro empresário depois disso?", argumenta.

O presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL-CE), Freitas Cordeiro, também discorda da forma de combate à pandemia escolhida pelo Executivo cearense, mas revela não ter se surpreendido com a decisão.

Tenho que confessar que não foi uma surpresa. Porque a metodologia adotada é pautada em números, e se o platô ainda permanece muito alto, o Governo tinha que seguir uma coerência e manter o lockdown. Mas eu permaneço discordando. Só não me conformo que o Varejo seja o patinho feio da história, que paga o preço como se fosse o local de infecção, sem evidência científica. Não estou pleiteando que outros deixem de trabalhar. Entendo que, a exemplo dos demais, o Varejo deveria continuar trabalhando.

Diário do Nordeste