Bolsonaro chama de ‘mandrake’ vacina em desenvolvimento pelo Butantan

Bolsonaro chama de ‘mandrake’ vacina em desenvolvimento pelo Butantan


O presidente Jair Bolsonaro criticou na noite de ontem (22), a vacina contra Covid-19 desenvolvida pelo Instituto Butantan. Na sua tradicional live nas redes sociais, o chefe do Planalto chamou o imunizante brasileiro Butanvac de "mandrake". Bolsonaro deu a declaração enquanto conversava com o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, para falar sobre uma vacina totalmente produzida no País por pesquisadores de Ribeirão Preto: "Vamos lá, Marcão. Como é que está nossa vacina brasileira? Essa é 100% brasileira, não é aquela 'mandrake' de São Paulo, não, que tinha os Estados Unidos no meio. Essa é 100% brasileira. Como ela está, qual o nome dela?", perguntou o presidente ao ministro.

No fim de março, quando veio à tona a notícia de que a Butanvac usaria tecnologia americana, o Butantan explicou que o desenvolvimento da vacina será, sim, "100% nacional", e que a parceria com o Hospital Mount Sinai, de Nova York, é livre do pagamento de royalties e pode ser feita "por qualquer instituição de pesquisa em qualquer parte do mundo".

Já a "vacina brasileira" à que Bolsonaro se referiu é a Versamune MCTI, desenvolvida em Ribeirão Preto (SP) sob coordenação do Ministério de Ciência e Tecnologia. De acordo com Marcos Pontes, o imunizante usará tecnologia nacional, e os testes clínicos de fase 1 e 2 estão próximos de começar: "Ela já deu entrada na Anvisa para os testes clínicos com pacientes. Serão 360 pacientes, para essa primeira fase, fases 1 e 2, onde se testa a segurança da vacina, e logo depois a fase 3 para testar a eficiência. Nossa ideia é que até o final do ano tenhamos uma abertura dos testes, como foi feito com CoronaVac, por exemplo, e nós possamos ter essa vacina entrando no mercado neste ano", explicou o ministro.

De acordo com Marcos Pontes, o maior desafio agora é o orçamento. Somente para as fases 1 e 2, serão necessários R$ 30 milhões; para a fase 3, que terá 25 mil pacientes, o custo sobe para R$ 310 milhões. O chefe do Planalto também voltou a criticar medidas duras de isolamento social, recomendada por autoridades sanitárias para conter a disseminação da Covid-19. "Passou um ano e continuam fazendo lockdown como se fosse remédio para acabar com o vírus. Na verdade, está empobrecendo cada vez mais nossa população", disse.

O presidente ainda defendeu, mais uma vez, o uso de medicamento sem eficácia comprovada contra a doença. "Por que não se pode falar em remédio, meu Deus do céu? Ano passado eu falei em remédio e fui massacrado. Eu tomei um negócio no ano passado. Se eu tiver problema de novo, vou tomar. Não faz mal", afirmou.

Cortes nas despesas
Jair Bolsonaro afirmou que todos os ministérios devem sofrer cortes em suas despesas para assegurar o respeito ao teto de gastos. Sem indicar o tamanho exato do corte, ele disse apenas que o bloqueio será "bastante grande" para o tamanho do Orçamento. Sem entrar em muitos detalhes sobre o assunto que o colocou no centro de um impasse entre a equipe econômica e o Congresso Nacional, ele explicou: "A peça orçamentária para os 23 ministérios é bastante pequena e é reduzida ano após ano. Tivemos um problema no Orçamento no corrente ano, então tem um corte previsto bastante grande no meu entender, pelo tamanho do orçamento, para todos os ministérios. Todo mundo vai pagar um pouco a conta disso aí".

Desmatamento
Outro ministro que participou da live foi Ricardo Salles, titular do Meio Ambiente. Ele disse que o plano nacional de combate ao desmatamento ilegal na Amazônia vai custar US$ 1 bilhão, que ele espera receber de nações ricas, como os Estados Unidos, que organizaram nesta quinta a Cúpula de Líderes sobre o Clima. Se o Brasil não receber esse valor, as ações serão feitas com os recursos destinados a esse fim no Orçamento. Salles e o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, participaram nesta quinta-feira da live semanal do presidente Jair Bolsonaro. Salles disse que, quando o Acordo de Paris foi assinado, havia uma promessa dos países desenvolvido de pagarem US$ 100 bilhões aos países em desenvolvimento, o que não ocorreu, e que o Brasil tem 7,8 bilhões de toneladas de emissões de carbono evitadas de 2006 a 2017, o que representa um crédito de US$133 bilhões, do qual o país recebeu US$ 1 bilhão.

“Uma parte deste entendimento é o seguinte, quem nos prometeu recursos, nos levou para acordos internacionais, tem que colocar o dinheiro a disposição. A gente agradece aquela oferta do presidente [dos EUA, Joe] Biden de US$ 20 bilhões no ano passado, e estamos apresentando um plano que é de US$ 1 bilhão. Diante de todos esses créditos, nós queremos US$ 1 bilhão [para o projeto contra o desmatamento]. Agora se esse bilhão não vier nós vamos fazer tudo que a gente precisa fazer com nossos próprios recursos. O presidente determinou que se dobrasse justamente o recurso para fiscalização ambiental”, disse o ministro. Salles salientou que é preciso reconhecer que Bolsonaro, em sua participação na cúpula, fez um gesto, uma promessa e um compromisso muito sério e ambicioso e imediatamente o plano de redução do desmatamento ilegal foi apresentado.

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