CPI da Covid coloca senadores cearenses em rota de colisão

CPI da Covid coloca senadores cearenses em rota de colisão


Prevista para ser instalada amanhã, 27, a CPI da Covid coloca dois senadores cearenses em rota de colisão. Escalados para integrarem o colegiado, Tasso Jereissati (PSDB) e Eduardo Girão (Podemos) divergem sobre rumos do colegiado. Enquanto o tucano já declarou que "não há dúvida nenhuma de que um dos principais culpados pela situação a que nós chegamos é o Governo Federal", Girão considera que declarações do tipo são um "pré-julgamento".

Em entrevista ao O POVO em março passado, Tasso afirmou que "a CPI tem que mostrar ao presidente da República e seus seguidores e ministros que o que ele faz tem consequências para ele". O ex-governador acrescentou: "Sem dúvida nenhuma, um dos grandes culpados, ou talvez o maior culpado por chegarmos aonde nós chegamos, é o Governo Federal". Em conversa com a reportagem, Girão diz esperar que os trabalhos da CPI "sejam conduzidos com imparcialidade e, para isso, tem que ter isenção de seus membros, especialmente do comando". "Não pode ter julgamentos", argumenta o parlamentar, "e a gente viu muitas entrevistas na mídia dos membros já pré-julgando, dizendo quem é condenado e quem é inocente. E não pode haver conflito de interesse".

As declarações de Girão são uma crítica indireta a Tasso. Além do O POVO, o senador social-democrata já havia dito à Folha que considera o presidente responsável pelo quadro da pandemia no Brasil, lembrando inclusive a tese jurídica do domínio do fato, empregada durante o julgamento da ação penal 471 (mensalão) como argumento segundo o qual o presidente teria ciência do que sucede dentro das estruturas da administração direta.

Para Girão, a CPI é oportunidade para que se "possa investigar todo mundo" e "que não blinde nem presidente da República nem governador nem prefeito". "É o escopo da CPI que engloba os entes federados. É isso o que a população brasileira de bem quer, e não movimentações visando palanque político, um circo, teatro. Isso é muito perigoso e é um desrespeito com a população que sofre as consequências da pandemia em todas as áreas. E para ser sério não pode ver apenas uma parte da verdade, tem que vir toda a verdade", complementa o congressista.

Tasso rebate qualquer possibilidade de politização da CPI. "O empenho da CPI é fazer um trabalhado absolutamente técnico, responsável e que vise alcançar as causas fundamentais para que o Brasil chegasse nessa situação", defende o tucano. Mas lembra que o colegiado formado por 11 senadores titulares "vai ser responsável por investigar as causas, as omissões, as ações que ocorreram e que fizeram com que nós chegássemos ao ponto em que estamos vivendo".

"Hoje, somos o país com maior número de mortes diárias, somos uma ameaça ao mundo, além de ser um pária mundial somos até motivo de chacota. E esse drama continua aumentando", responde Tasso, para quem o objetivo da CPI é "aprender, parar o que está sendo feito errado e responsabilizar as omissões e ações".

Nesta terça-feira, os integrantes da comissão definem, em clima de guerra com o Planalto, o presidente, o relator e o vice-presidente da CPI. O Governo tenta a todo custo evitar que Renan Calheiros (MDB-AL) seja eleito para a relatoria. Adversário de Jair Bolsonaro (sem partido), Calheiros já disse que o presidente foi omisso durante o enfrentamento da pandemia Na vice-presidência e na presidência do colegiado, os nomes que despontam são os dos senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Omar Aziz (PSD-AM).

O Povo