Dia Mundial da Saúde: Os relatos da linha de frente após um ano de pandemia em Santa Quitéria

Dia Mundial da Saúde: Os relatos da linha de frente após um ano de pandemia em Santa Quitéria


O Dia Mundial da Saúde celebra-se, desde 1950, em 7 de abril, por escolha da primeira Assembleia da Organização Mundial da Saúde (OMS). Todos os anos, a OMS seleciona o principal tema que quer ver debatido, de acordo com as suas prioridades. A escolha para 2021 retrata os Trabalhadores da Saúde e Cuidadores.

À frente da maior crise sanitária e hospitalar que o Brasil já enfrentou, médicos, técnicos de enfermagem, enfermeiros, fisioterapeutas, farmacêuticos e diversos outros profissionais da saúde lutam diariamente contra o cansaço e contra o tempo em meio ao colapso dos hospitais. Em cada óbito, a dor da despedida. A cada fim de expediente, o cuidado para não levar o vírus para a casa. É da dedicação diária entre os últimos 13 meses que o Dia da Saúde deve ser relembrado como forma de proteger a si e aos outros da Covid-19.

Nos intervalos dentre os corredores hospitalares, o enfermeiro e ex-secretário da saúde Diego Timbó, relata que o susto com a segunda onda, é sobre como os casos graves evoluem rapidamente para óbitos. “Tivemos um número altíssimo de profissionais de saúde vindo a óbito, principalmente no Ceará. Em Santa Quitéria, infelizmente perdemos o Dr. Junior, um excelente profissional”, relembrou. 

O enfermeiro ainda pontuou que é necessário relembrar todos os dias que os profissionais estão em uma luta constante, arriscando suas vidas e de suas famílias. Portanto, a população precisa fazer uma conscientização e seguir todos os protocolos de segurança. 

“Santa Quitéria está muito abalada com todos os óbitos que tivemos em tão pouco tempo. Deixo o meu pesar para cada família que perdeu um de seus familiares. Mas, também deixo meus parabéns a todos os profissionais de saúde de Santa Quitéria que saem de suas casas para salvar vidas”, finalizou.  

Coordenadora da vigilância epidemiológica, Emanuela Barbosa relembrou a diferença da primeira onda para a segunda, no olhar do profissional de saúde. Ela argumenta que em 2020, tudo era muito novo e foi necessário uma adaptação aos cuidados para com a doença, mas que em 2021, a transmissão e letalidade da doença está mais forte. 

Com a força da Covid-19 e suas variantes neste ano, o medo se faz presente no dia a dia do profissional de saúde. “Nós perdemos muitos profissionais da saúde, principalmente enfermeiros, que são aqueles que lidam direto com o paciente. Nós tivemos grandes percas no município e tudo isso traz até uma insegurança para nós quanto trabalhadores profissionais da saúde”, relatou a coordenadora. 

Cuidados pós-plantão 
A Enfermeira e Coordenadora de Enfermagem do Hospital Municipal, Patrícia Lima, relatou toda a sua rotina ao entrar e sair dos plantões. A preocupação com a família é uma realidade há 13 meses dos profissionais de saúde. 

“O correto é o profissional ir trabalhar com uma roupa comum, ao adentrar o ambiente hospitalar, essa vestimenta será trocada pela roupa que utilizamos durante todo o plantão e ao fim, o correto é trocar a roupa novamente. Se possível o calçado que é utilizando durante o plantão, deverá ficar na unidade hospitalar”, narrou a enfermeira. 

“Todas as medidas são de proteção para nós profissionais e para os nossos familiares, afim de evitar uma contaminação”, finalizou. 

Profissionais depois do novo coronavírus
No futuro depois da Covid-19, Domilson Monte, diretor do Hospital Municipal de Santa Quitéria, acredita que os profissionais da saúde não serão mais os mesmos. “Os profissionais da saúde enfrentaram e ainda enfrentam uma dificuldade muito grande em lidar com esse vírus e isso desperta no profissional uma empatia, um cuidado especial ao paciente e consigo próprio”, comentou.

Mensagem de esperança
“Desejo esperança e dias melhores para os profissionais de saúde. Espero que um dia, todos os profissionais da saúde sejam valorizados e respeitados por toda a população e pelas nossas autoridades. É relembrar que no fim de tudo isso, há dias de esperanças para todos os profissionais. Não iremos desistir! Tenho esperança que dias melhores virão” - Domilson Monte

A única coisa que vai nos livrar da patologia, é a imunização de todos. É importante que a população entenda a importância do isolamento social, do uso de máscara e do álcool em gel, para que a gente possa o mais rápido possível sair dessa crise de saúde. Os profissionais da saúde que estão arriscando suas vidas, deixando suas famílias, seus lares... Todos estão de parabéns” - Diego Timbó

“Para nós, é um momento desafiador. O que eu gostaria de deixar para os colegas profissionais que estão na linha frente, é que nós precisamos pensar que dias melhores virão e que toda crise, é uma oportunidade de aprendizado e crescimento. Tudo isso que estamos passando, que isso nos sirva de uma reflexão interior, para que nós possamos procurar ver o lado bom das coisas. O cansaço físico vem, a insegurança psicológica é uma constante, principalmente agora, mas temos que entender que sempre tem esperança” - Emanuela Barbosa