Após três meses funcionando, fábrica de calçados de Lisieux fecha, deixa calotes e não apresenta justificativas

Após três meses funcionando, fábrica de calçados de Lisieux fecha, deixa calotes e não apresenta justificativas


Em 05 de fevereiro passado, moradores do distrito de Lisieux, em Santa Quitéria, festejavam aquilo que seria considerado um dos maiores feitos de desenvolvimento daquela região: a instalação de uma fábrica de calçados e acompanhado dela, a promessa de geração de empregos para impulsionar o comércio. Menos de três meses depois, a ideia naufragou e os lexovienses ficaram a ver a debandada das máquinas, sem qualquer justificativa.


No último sábado (08), um caminhão encostou ao lado do Centro Cultural e fez a retirada de todo o maquinário que ali havia sido instalado para a Calçados Lisieux, que iniciou com 28 funcionários e uma produção diária de 300 pares de sapatilhas, sem ter informação para onde estavam sendo levados ou qualquer indicativo de futuro da empresa.

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O pouco tempo de operação da Calçados Lisieux foi suficiente para acumular vários problemas. Há relatos de colaboradores que trabalharam com carga horária acima do permitido - cerca de 09 horas diárias - para receber um salário de apenas R$ 300, sem contar a dificuldade que tinham para receber o valor e não parou por aí. Comerciantes do distrito sofreram calotes dos responsáveis, além de atrasos durante os três meses no aluguel e em contas de água e energia.

Claison Lamperti, proprietário, à esq. cumprimentando Braguinha

A "boa fama" de Claison Lamperti, proprietário da fábrica, foi antecipada nas redes sociais por ex-funcionários dele de outras cidades, que alegam terem sido vítimas de calotes praticado por ele. Na postagem feita pelo prefeito Braguinha, no dia da inauguração, várias pessoas relataram a forma como ele os deixou, igual agiu em Lisieux: na rua da amargura, sem honrar seus compromissos. O advogado Nícolas Sales "agradeceu" ao gestor por "ajudar a encontrar o Sr. Claison que deve milhares de reais em salários e verbas trabalhistas a diversos trabalhadores de Fortaleza".


Registrada na Receita Federal como Lisieux Industria e Comercio de Calçados LTDA, a "Santa Luna", como consta seu nome fantasia, nasceu já audaciosa: até julho, tinha pretensões de aumentar para 60 funcionários e chegar a dezembro com 150 empregados, além de uma meta diária de 600 pares feitos. Se pela crise econômica agravada com lockdown e suas consequências ou por uma pura incompetência e ausência total de gestão, o fato é que seu fechamento surpreendeu a todos e deixou o distrito bastante desapontado.


A Voz de Santa Quitéria tentou fazer contato com os responsáveis pela Calçados Lisieux para se posicionar sobre o assunto. Com o telefone registrado na Receita - (85) 99973.3370 -, ligamos e a pessoa do outro lado da linha, demonstrando bastante nervosismo, não se identificou e disse desconhecer, tendo desligado a chamada. A Prefeitura Municipal, por meio da assessoria de comunicação, também foi procurada, se foram informados oficialmente do fechamento, no entanto, até a conclusão desta matéria, não havia sido informado o posicionamento.