Médicos fazem alerta contra uso de esterco de vaca como falsa cura para Covid-19

Médicos fazem alerta contra uso de esterco de vaca como falsa cura para Covid-19


Médicos na Índia estão fazendo um alerta contra a crença de que o uso de esterco de vaca é eficaz contra a Covid-19. Não há nenhuma evidência científica de que o material orgânico seja benéfico contra qualquer doença, mas há pessoas que têm procurado estábulos para cobrir o corpo com fezes e urina do animal, sob a justificativa de que a prática aumenta a imunidade e pode ajudar na recuperação após a infecção pelo coronavírus.

A agência de notícias Reuters registrou moradores do estado de Gujarat, no oeste da Índia, realizando a prática condenada por especialistas. O ritual é muitas vezes incentivado porque no hinduísmo a vaca é um símbolo sagrado. Religiosos defendem, portanto, que o esterco tem propriedades terapêuticas e anti-sépticas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

— Vemos até médicos aqui. Acreditam que essa terapia melhora sua imunidade e eles podem ir cuidar de pacientes sem medo — disse Gautam Manilal Borisa, gerente de uma empresa farmacêutica, que defende que a prática o ajudou a se recuperar da Covid-19 em 2020. Enquanto os participantes do ritual esperam que a mistura seque em seus corpos, eles abraçam as vacas, homenageiam os animais e praticam ioga para 'aumentar a energia'.

Desde o início da pandemia, médicos na Índia fazem alertas contra tratamentos alternativos. Especialistas apontam que muitas vezes eles levam a uma falsa sensação de segurança, o que pode agravar a doença no país.

— Não há nenhuma evidência científica concreta de que o esterco de vaca ou a urina funcionem para aumentar a imunidade contra a Covid-19, é inteiramente baseado na crença. Também há riscos à saúde em espalhar ou consumir esses produtos. Outras doenças podem se espalhar do animal para os humanos — ressaltou o médico JA Jayalal, presidente da Associação Médica Indiana, acrescentando que a prática pode até contribuir para a disseminação do coronavírus, já que as pessoas participam do ritual em grupos e sem máscaras.

Extra