Operação com 25 mortos no Jacarezinho é a mais letal da história do Rio

Operação com 25 mortos no Jacarezinho é a mais letal da história do Rio


A operação da Polícia Civil na favela do Jacarezinho, zona norte do Rio, já é ação policial mais letal da história do Rio de Janeiro. A operação registrou ao menos 25 mortos —entre eles, um policial baleado na cabeça. A identidade de 24 mortos não foi divulgada.

O levantamento foi feito pelo Geni (Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos) da UFF (Universidade Federal Fluminense) a pedido do UOL. O grupo de pesquisa compila dados de operações policiais no estado ocorridas desde 1989. Após denúncias de violações durante a operação policial, grupos de defesa dos direitos humanos foram ao Jacarezinho.

Até hoje, a ação formal com maior número de vítimas havia ocorrido em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, quando houve 23 mortos em 1998. No Complexo do Alemão, em 2007, uma operação deixou 19 mortos. A letalidade da operação no Jacarezinho também superou a Chacina de Vigário Geral, em 1993, quando 21 pessoas foram mortas por um grupo de extermínio formado por policiais.

CONFIRA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A maior chacina ocorrida no estado do Rio de Janeiro foi a Chacina da Baixada: em 2005, um grupo de policiais que atuavam como uma espécie de grupo de extermínio matou 29 pessoas, incluindo mulheres e crianças, em diversos pontos dos municípios de Nova Iguaçu e Queimados.

A Operação Exceptis, deflagrada hoje pela DPCA (Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente), contou com o apoio de outras unidades, como a Core (Coordenadoria de Recursos Especiais). Também foram usados blindados e ao menos um helicóptero —no qual foi possível identificar atiradores portando fuzis.

A investigação teve início a partir de informações repassadas à DPCA de que traficantes vêm aliciando crianças e adolescentes para integrar a facção que domina o território, o CV (Comando Vermelho). Esses criminosos exploram práticas como o tráfico de drogas, roubo de cargas, roubos a transeuntes, homicídios e até sequestros de trens da Supervia. O policial civil morto durante a operação foi identificado como André Leonardo de Mello Frias, que atuava na Dcod (Delegacia de Combate às Drogas).

UOL