Em Camocim, homem passa 17 anos usando a identidade de menino morto para fraudar INSS

Em Camocim, homem passa 17 anos usando a identidade de menino morto para fraudar INSS


Alecsander Martins Coelho, de Massapê, no Ceará, mas com residência em Teresina, no Piauí, onde foi preso pela Polícia Federal em 2017 e solto dois anos depois, aplicava golpes e fraudes contra o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) usando um nome de uma criança morta em um acidente aos 10 anos em Camocim. Os detalhes das ações fraudulentas do cearense foram divulgados no Fantástico, da TV Globo, nesse domingo (13).

O primeiro golpe ocorreu em 2004, quando um documento falso foi usado por ele para transferir um veículo. A fraude, porém, foi descoberta pela polícia. Foi nesse momento que Alecsander forjou a própria morte e passou a usar o nome de Elber Fabrício Mendes, vítima do sinistro de trânsito ainda em 1987, cuja época eles tinham a mesma idade. 

Conforme a PF, Alecsander foi ao cemitério de Camocim e localizou a sepultura de Elber. Em seguida, foi a um cartório e conseguiu uma certidão de nascimento válida e emitiu os demais documentos. Ainda com a identidade falsa do menino morto, o acusado casou e concluiu a graduação em contabilidade. O acusado chegou a fazer outras oito identidades falsas usando os nomes de Alessandro, Elber, Edivaldo e Francisco, por exemplo.

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As investigações apontam que o primeiro benefício irregular extraído do INSS foi pago de 2004 até fevereiro deste ano. A esposa dele, Francisca Geandra Gomes, e o filho do casal, Irley Alecsander Gomes Coelho, recebiam um salário mínimo, o que corresponde a um prejuízo de R$ 156 mil à previdência.

Em Sobral, também na Região Norte do Ceará, Alecsander registrou dois atestados de óbito. Um deles foi em nome Fádia Soares, que rendeu a ele um benefício de 2007 até fevereiro último. Com o segundo atestado, o homem recebeu mais de R$ 500 mil somados durante 14 anos. 

"Não podemos, em hipótese alguma, imputar falhas aos servidores do INSS porque os documentos todos eram materialmente verdadeiros, então fica muito difícil observar qualquer tipo de falha ali", ponderou o delegado da PF no Piauí, Robério Chaves.

No último mês de maio, o Ministério Público do Piauí denunciou ao Tribunal de Justiça, Alecsander e Geandra. O ex-casal deverá responder por fraude a benefícios do INSS e fraudes bancárias. A pena estimada chega a 14 anos de prisão.

Segundo Lúcia Mendes, 64, mãe do verdadeiro Elber Fabrício Mendes, a família recebe cobranças por débitos em aberto com o CPF do filho, usado pelo criminoso. Ela revela que desmaiou ao descobrir as fraudes. “E eu, esse tempo todinho, paguei 15 anos de INSS, tô aqui com 64 anos e ainda não consegui me aposentar. Um filho da mãe desse roubando o nome do meu filho”, lamentou Lúcia.

Diário do Nordeste