Advogado pagou R$ 38 mil para mandar matar ex namorada a tiros, diz polícia

Advogado pagou R$ 38 mil para mandar matar ex namorada a tiros, diz polícia


A Polícia Civil do Paraná concluiu nesta segunda (05), que o advogado Wagner Oganauskas pagou R$ 38 mil para mandar matar a ex-esposa, Ana Paula Campestrini, de 39 anos, no dia 22 de junho. Segundo a principal linha de investigação, os 14 tiros disparados contra o carro da vítima na entrada do prédio em que ela morava com a namorada, em Curitiba, foram feitos por Marcos Ramon, um amigo do ex-companheiro de Ana.

Para a DHPP (Delegacia de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa), o advogado tentou camuflar o pagamento em abril ao transferir a quantia para a conta de um clube esportivo que ele presidia na capital paranaense. 

O suspeito solicitou à tesouraria que encaminhasse a quantia para Ramon, que era diretor da agremiação, sob alegação de que fez a transação por engano. A Polícia Civil descobriu esse valor após recolher extratos bancários com os suspeitos. 

Cerca de 40 pessoas foram ouvidas como testemunhas, que reforçaram a inimizade que Wagner mantinha com Ana Paula após ela pedir separação para viver um relacionamento homoafetivo. Ambos tiveram três filhos juntos, de 9, 11 e 17 anos. 

Além disso, imagens de 12 câmeras de segurança que filmaram todo o trajeto do atirador no dia do crime passaram por análise e confirmaram que Marcos Ramon era a pessoa flagrada pelas câmeras na porta do condomínio onde Ana Paula morava.

O inquérito confirmou que a motivação estava relacionada a uma disputa de bens e guarda dos filhos entre Wagner e Ana Paula após o fim do casamento há quatro anos. A Polícia Civil também considerou homofobia do ex-marido como causa.

"Restou provado que, os motivos do crime, para o atirador Marcos, era a paga no montante de R$ 38 mil, podendo, tal valor, ser maior, ainda pendente dos extratos bancários não disponibilizados. Já para Wagner, restam claros que os motivos principais passam pela questão patrimonial, pelo sentimento homofóbico e, ainda, para não 'dividir' os filhos com a vítima", assinalou a delegada Tathiana Guzella, no relatório.

Sobre a pena
O ex-marido foi indiciado por feminicídio, com as seguintes qualificadoras: mediante pagamento, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. O inquérito indiciou o homem apontado como atirador por homicídio com as mesmas qualificadoras impostas contra o mandante. 

A Polícia Civil ainda pediu à Justiça a conversão de prisão temporária para preventiva, que é aquela sem prazo para acabar. A solicitação ainda não teve análise do judiciário. "Ficou demonstrado que, entre as centenas de provas, se tratam de pessoas ardilosas, com ameaças nesses meses [antes do crime]", explicou a delegada.

Imagens das câmeras de segurança flagraram o momento em que um homem de motocicleta vermelha para ao lado da janela do motorista, onde estava a vítima, e efetua diversos disparos, enquanto o portão se abre. Nas imagens, é possível ver que a vítima e o atirador não trocam nenhuma palavra e a mulher nem chega a baixar os vidros do veículo.

Logo após os disparos, o suspeito foge sem levar nada do carro de Ana Paula. O socorro foi acionado, mas a mulher, que não levava passageiros, morreu ainda no local. Segundo o Corpo de Bombeiros, foi possível verificar marcas de tiros no rosto, braço e tórax da vítima. A arma usada trata-se de uma pistola de calibre 9 milímetros. Foram contabilizados 14 estojos de balas pelo chão.

Ana Paula e Wagner permaneceram casados por 17 anos. Depois do divórcio, os filhos passaram a morar com o pai e, no dia do crime, a vítima se dirigiu a um clube onde os três praticavam esportes para tirar uma carteirinha e conseguir visitá-los na agremiação. A vitima pediu o divórcio para viver um relacionamento homoafetivo, o que também não era aceito pelo ex.

Segundo a DHPP, Ana Paula "estava muito feliz" com a possibilidade de vê-los no clube, que é presidido pelo ex-marido, pois testemunhas informaram que a vítima "era impedida de vê-los". No entanto, o diretor da agremiação teria seguido a mulher até o condomínio onde ela morava logo após a vítima pegar o documento de acesso.

UOL Notícias