Covid: cientistas identificam biomarcadores que atestam sucesso da vacina

Covid: cientistas identificam biomarcadores que atestam sucesso da vacina


Pesquisadores da Universidade de Oxford, responsáveis pelo desenvolvimento da vacina fabricada pela AstraZeneca, conseguiram identificar biomarcadores que ajudarão a entender se um indivíduo ficará imunizado contra a Covid-19 após receber a fórmula. Os resultados foram publicados em versão pré-print no site medRxiv, ou seja, ainda não passaram pela avaliação da comunidade científica.

O chamado “correlato de proteção” de respostas imunes é o primeiro a ser encontrado para as vacinas contra a Covid-19. A descoberta abre portas para melhorar os imunizantes que já foram criados e facilitar o desenvolvimento de outros, reduzindo a necessidade de grandes estudos de eficácia.

“Se há um correlato confiável, podemos usá-lo em estudos clínicos para decidir sobre quais vacinas possivelmente funcionam, qual forma é melhor, e o quão durável será a proteção”, explicou Dan Barouch, diretor do Centro de Virologia e Pesquisa em Vacina no Centro Médico Diaconisa Beth Israel, nos Estados Unidos, à revista Nature.

O biomarcador é determinado, normalmente, ao se comparar a resposta imune de pessoas vacinadas e protegidas com a das imunizadas mas que, mesmo assim, foram infectadas. O estudo analisou 171 casos de infecção em 1.404 vacinados e aponta alguns anticorpos neutralizadores do vírus que, quando presentes, sinalizam que a vacina atingiu seu objetivo – quanto maior a quantidade desses anticorpos, melhor.

Outros imunizantes que desencadearem os mesmos anticorpos devem funcionar bem contra o coronavírus. Ainda não se sabe se vacinas com tecnologias diferentes, como as de RNA, por exemplo, fornecerão a mesma resposta. No caso do imunizante da Pfizer, só foi possível encontrar os biomarcadores após a segunda dose, mesmo com provas de que a primeira aplicação já promove alta proteção ao paciente.

A pesquisa ainda é inicial, e é preciso determinar se os anticorpos citados no estudo realmente podem ser usados como parâmetro para outras vacinas antes de as agências reguladoras do mundo o adotarem.

Metrópoles