Capela da Finada Marta, santa popular de Hidrolândia, é "sufocada" por futuro loteamento e revolta moradores

Capela da Finada Marta, santa popular de Hidrolândia, é "sufocada" por futuro loteamento e revolta moradores


Uma situação vem provocando revolta nos moradores de Hidrolândia, há cerca de duas semanas. Considerado um patrimônio histórico e a simbologia religiosa que é ainda mais forte, a Capela da Finada Marta está praticamente sufocada por cercas de arames que foram colocadas na promessa de venderem lotes, deixando um espaço minúsculo para quem frequenta o local.

Segundo informações levantadas pelo A Voz de Santa Quitéria, o terreno teria sido doado no passado por Maria Mirian Ferreira de Sousa à Paróquia de Hidrolândia com o objetivo de ampliar a capela e construir uma praça em homenagem a finada, no entanto, pegou de surpresa o cercado ter sido colocado e com rumores de que familiares teriam vendido a terceiros, sem qualquer comunicado à Igreja.


O advogado Antonio Branco levantou a causa nas redes sociais. "Em nome da comunidade, estamos fazendo isso aqui para as autoridades competentes verem esse documento, quem comprou, quem vendeu devolver dinheiro, haja vista que isso aqui foi doado à Igreja. A comunidade está revoltada, perplexa", relatou.

Além da capelinha onde as pessoas fazem suas orações, acendem velas e depositam ex-votos, o arredor é usado como um campinho de futebol para a garotada da vizinhança. Em campanhas eleitorais passadas, a Finada Marta foi usada como promessa dos candidatos de que seria construído um espaço maior e uma praça para dar mais conforto aos fieis, mas nunca saiu do papel, nem tampouco foi planejado pela Prefeitura Municipal.

Ainda não se sabe se o caso será judicializado. Até o fechamento desta matéria, a Paróquia Nossa Senhora da Conceição não havia se pronunciado se tomaria alguma medida.

A história da Finada Marta


Maria Marta de Sousa era uma jovem de origem humilde, de vida bastante sofrida e necessitada, que trabalhava em casas de família para receber alimentos para os filhos como pagamento. O seu esposo, Júlio Vital da Penha, tinha muito ciúmes dela e quando bebia, a maltratava.

Na noite de 24 de dezembro de 1955, passando pela rua embriagado, Júlio teria sido chamado de 'corno'. Marta havia dado à luz ao seu terceiro filho, há três dias e, estava em casa com seus filhos e sua mãe. Ele, indignado com o que havia acontecido, chegou em casa furioso e assassinou a mulher com um pedaço de pau, tendo-lhe desferido três pauladas na cabeça.

Hidrolândia ficou indignada com a crueldade do acontecido e o motivo muito banal, e comovida por ter ocorrido na véspera da noite de Natal, deixando seus filhos. Maria Marta passou pela experiência do martírio, tornando-se uma mártir em que as pessoas começaram a crer que podiam pedir a intercessão dela nos momentos difíceis.

O número de pessoas que passaram a frequentar o local do assassinato foi aumentando cada vez mais e, surgiam sempre rumores e depoimentos de pessoas que tinham conseguido alguma graça. Na capela, podem ser encontrados flores, velas, imagens de santos, bilhetinhos, agradecimentos e ex-votos, como fotos e miniaturas de algum órgão ou alguma parte do corpo.

Com informações biográficas da professora Fátima Chaves