Preço médio da gasolina no Ceará já acumula aumento de 23,7% em 2021

Preço médio da gasolina no Ceará já acumula aumento de 23,7% em 2021


Com a última alta no valor do litro da gasolina vendido às distribuidoras nas refinarias pela Petrobras, o preço médio do combustível no Ceará já registra um aumento de 23,7% no acumulado de 2021. Enquanto o consumidor cearense pagava em média R$ 4,75 por litro em janeiro, na última semana esse valor chegou a R$ 5,88.

Além de encarar as altas sucessivas, quem precisa abastecer o carro nos postos do Estado ainda se depara com uma variação expressiva entre os valores cobrados, às vezes dentro do mesmo município. Em Fortaleza, por exemplo, o menor preço por litro da gasolina comum pode ser encontrado a R$ 5,43. Esse é também o valor mais baixo encontrado em pesquisa realizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em 11 municípios cearenses. Contudo, o consumidor fortalezense também pode encontrar um valor máximo de R$ 5,99 no litro desse combustível.

No Estado, a pior situação é a do município de Crateús que não só registra o maior preço médio da gasolina comum (R$ 6,28) como também de todos os demais combustíveis, exceto o Gás Natural Veicular (GNV). Caucaia, por sua vez, registra o menor preço médio da gasolina comum (R$ 5,81). Já Quixadá é o município cearense com menor custo de vida relacionado ao consumo de combustível. Por lá, o consumidor paga menos pelo gás de cozinha (em média R$ 87,67, pela gasolina aditivada (R$ 5,96) e pelo etanol hidratado (R$ 5,15).

Embora expressiva, a alta do preço médio da gasolina comum no Ceará em 2021 é inferior, em termos percentuais, à verificada no preço repassado pela Petrobras às refinarias que foi de 51%. No comparativo com outras unidades federativas, o Estado ocupa a 15ª posição em termos de média do valor pago por litro do combustível. Nesse quesito, a liderança é do Acre onde a gasolina comum tem preço médio de R$ 6,39 por litro. Por outro lado, o consumidor do Amapá paga em média R$ 5,10 pelo litro do mesmo produto.

De acordo com o consultor na área de petróleo e energia, Bruno Iughetti “esses aumentos têm muito a ver com a variação do preço do petróleo cru no mercado internacional associado à variação cambial. Isso é o que deve nortear as majorações ou reduções de preço do combustível, mas, na prática, a gente não sente que isso é uma realidade”. Ele pontua, nesse sentido, que “tivemos uma redução no preço do petróleo cru em torno de 8% há duas semanas e nem por isso os preços foram reduzidos na refinaria”.

O consultor em petróleo e energia explica ainda, que entram na composição final do preço que chega ao consumidor na bomba de combustível uma série de impostos, dos quais o principal é o ICMS, além das margens de lucro dos revendedores e questões de concorrência. “É possível que esse último ponto explique a questão dos preços fora dos parâmetros registrados em Crateús”, avalia.

Iughetti lembrou ainda que, apesar dos preços altos, abastecer com gasolina em vez de etanol (álcool) é atualmente mais vantajoso para o consumidor. A propósito, na última semana a ANP divulgou que esse fenômeno está ocorrendo em todos os Estados. Isso acontece sempre que o preço do álcool corresponde a 70% ou mais do valor da gasolina. “No momento, está sendo mais atrativo para os usineiros exportar o açúcar em vez de produzir etanol. Então, estamos com a demanda maior que a oferta e variação para cima nos preços do etanol”, explica.

O Povo Online