Arquiteto troca de noivo na véspera do casamento e surpreende convidados

Arquiteto troca de noivo na véspera do casamento e surpreende convidados


O casamento do arquiteto e decorador Eder Meneghine, 60 anos, no restaurante Solar das Palmeiras Rio, na Ilha da Gigóia, Zona Oeste da cidade, nesta terça-feira (7), foi marcado por surpresas. Os convidados chegaram a ser avisados que a noite seria inesquecível. O que ninguém imaginava é que a grande novidade seria a troca do noivo.

No convite enviado a 120 pessoas, constava o nome do mineiro Dyl Reis, de 23 anos, parceiro de Meneghine nos últimos meses. Porém, quem subiu no “altar” para dizer o “sim” que o arquiteto tanto esperava foi seu antigo namorado, o chefe de cozinha Hugo Oliveira, de 44 anos.

Por mais de dois meses, Eder, que também é dono de restaurantes e locais para eventos, organizou a festa dos seus sonhos. Ele gastou mais de R$ 250 mil com decoração, estrutura e serviços. Entre os convidados, figuras conhecidas da high society carioca, como a socialite Vera Loyola, o cineasta Neville D’Almeida, a drag Isabelita dos Patins e a baronesa Bete Suzano.

Menos de 24 horas antes de os convidados chegarem ao evento, porém, Eder e Dyl tiveram um desentendimento que motivou a separação repentina. Segundo o arquiteto, alguns problemas impediram a sequência do relacionamento.

“Eu o conhecia relativamente muito pouco. A gente se gostava, e eu o levei para morar comigo na minha casa. Com o tempo, eu tive essa vontade de fazer essa festa de casamento, como eu já fiz para muitas pessoas, vários artistas. E eu falei com ele: ‘Vamos casar?’. Só que ele tem 23 anos e eu tenho 60. Eu tinha a intenção de ser feliz. E eu achava que fosse ser”, revelou.

No dia anterior ao casamento, Eder se deu conta que estava envolvido em uma série de problemas pessoais decorrentes dessa relação e tomou a decisão de romper o compromisso.

Contudo, o empresário não desanimou e manteve a festa e a cerimônia. Faltava então conseguir outro noivo… foi aí que ele procurou um antigo namorado, o chefe de cozinha Hugo Oliveira, com quem sempre manteve um contato como amigo.

“Eu vivi por quase 20 anos com meu grande companheiro, um chefe de cozinha fabuloso. A pessoa responsável até por encaminhar o que eu consegui construir com meus restaurantes. Eu pensei em dar a esse homem, que sempre foi correto comigo, a oportunidade que eu ia dar para uma pessoa que nunca fez nada por mim”, contou o empresário.

O convite aconteceu de bate-pronto. “Você é o cara da minha vida. Quer casar comigo amanhã?”, perguntou Eder Meneghine. A resposta imediata de Hugo, segundo Meneghine, foi um sim retumbante, seguido por muita emoção.

Eder revelou que, apesar de não ter sido planejado, o pedido de casamento foi um momento especial e de muita cumplicidade. Para ele, era hora de valorizar quem sempre esteve por perto. O noivo contou que pensou até mesmo na garantia de direitos para os casais homossexuais e como aquilo seria importante para ele e o futuro marido.

“Por que não casar com essa pessoa que sempre foi correta comigo e garantir para ele direitos civis que ele merece? Por que não garantir um futuro de qualidade? Na verdade, não é que ele seja o grande amor da minha vida, mas eu descobri naquele momento de dificuldade que eu tinha na figura do Hugo Oliveira o maior amigo e parceiro de toda minha vida. E eu nunca dei pra ele a oportunidade que ele merecia”, disse Eder.

E foi ao som de “Con te Partirò”, uma clássica música italiana, que a presença de Hugo foi revelada para todos os 120 convidados da festa, que até aquele momento não tinham a mais pálida ideia de que Dyl era ex-noivo.

“Nessa hora foi uma loucura. Teve gente desmaiada, mais de 20 minutos de aplausos, uma vibração com chapéus para o alto. Um êxtase total. A festa foi 10 vezes melhor do que seria. Foram oito horas de evento e 150 garrafas de espumante italiano”, recordou Meneghine.

Passado o calor dos acontecimentos, Eder Meneghine conseguiu tirar um ensinamento de toda a confusão pré-casamento. Segundo ele, muitas pessoas passam por situações de insegurança na busca por aceitação e acabam não valorizando as pessoas que realmente foram importantes.

“Se eu puder inspirar outras pessoas com a minha história, eu vou ser realizado. Nunca passem pelo que eu passei. Porque eu fui bom, honesto, carinhoso, companheiro e na verdade encontrei uma pessoa que não teve a visão como a minha. As pessoas às vezes só pensam em se favorecer diante de uma relação com o outro”, disse.

G1