Boatos sobre anomalia nos peixes do açude Araras, em Varjota, prejudica o comércio local

Boatos sobre anomalia nos peixes do açude Araras, em Varjota, prejudica o comércio local

Com Nayanne Melo


Varjota é uma cidade reconhecida no Ceará pelo forte trabalho na área da piscicultura, onde mais de mil pescadores - sendo 400 associados - exercem suas atividades nas águas do açude Paulo Sarasate (Araras). Mas nos últimos dias, o trabalho desta categoria tem sido prejudicado com boatos que circulam nas ruas de que possivelmente peixes tirados de lá estariam contaminados com vermes.

Uma reunião foi realizada ontem (28) com a Colônia de Pescadores Z-15 de Araras, na Quadra Poliesportiva do bairro Ararinha, contando com a presença de representantes da Prefeitura Municipal e centenas de trabalhadores, tendo como principal objetivo desmentir as fake news.

Francisco Francinildo (Curica), presidente da colônia, garante que os peixes não estão contaminados e que as vendas foram comprometidas desde então. “A gente sabe que é mentira, porque nascemos e se criamos na beira do açude comendo peixe, nunca se ouviu falar do pescador adoecer por ter ingerido. Depois que surgiu esse boato, parou tudo aqui em Varjota. É uma renda muito grande”, lamenta ele. A fala é reforçada por Vicente Lima, que pesca no local há 50 anos, e afirmou nunca ter ouvido falar de qualquer doença com a água do açude e que o consumo pode haver normalmente sem qualquer preocupação.


De acordo com Renato Pontes, chefe de gabinete da Prefeitura, os testes nos peixes ainda não foram realizados, mas estão se organizando para realizar um diagnóstico de maneira formal e documentada. Paralelo a isso, o mesmo destacou que a administração tem dado o acompanhamento necessário diante do caso. “A gente vem acompanhando as problemáticas da categoria, as dificuldades são grandes, mas nós da gestão estamos aqui para apoiar e vamos dar o maior suporte, principalmente em combater as fake news”, frisou.

Verme do olho
Trata-se de uma doença que afetam os peixes de água doce, de diversas regiões do país. Normalmente a doença é desenvolvida em águas represadas, que tenha a visita de aves que se alimentam de peixes ou até a presença de caramujos.

Casos recentes da anomalia foram registrados em um açude no interior de Catunda, há cerca de duas semanas, em que houve a devida averiguação, constatadas larvas nos olhos dos peixes e consequentemente a retirada de circulação.