Caminhões fazem bloqueio na Esplanada dos Ministérios e pressionam por invasão ao acesso do STF

Caminhões fazem bloqueio na Esplanada dos Ministérios e pressionam por invasão ao acesso do STF


Um dia após a manifestação pró-Bolsonaro do 7 de Setembro, mais de cem caminhões permanecem na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, e são usados para pressionar pela derrubada do bloqueio que dá acesso ao STF (Supremo Tribunal Federal) e ao Congresso Nacional.

Os automóveis trazem a identificação de empresas do agronegócio de Goiás, Santa Catarina e São Paulo. O trânsito segue bloqueado e, até o começo da tarde desta quarta-feira, 8, havia uma grande quantidade de manifestantes bolsonaristas em frente aos ministérios.

A pressão marca também a votação da tese do marco temporal pelo STF, que foi reagendada para o dia de hoje. A tese, que altera diretamente os critérios para demarcação de terras indígenas, com prejuízos a populações tradicionais, é defendida pelo governo Bolsonaro e pela bancada ruralista no Congresso.

Com os veículos ligados e buzinaço, os grupos bolsonaristas tentavam avançar pela via que dá acesso ao STF e ao Congresso, mas, até agora, são contidos pela PM.

A presença dos caminhões virou um problema de segurança pública de difícil solução. Integrantes da Secretaria de Segurança Pública do DF fazem reuniões ao longo do dia para tentar encontrar uma solução para a desocupação da Esplanada dos Ministérios.

Segundo informação da Folha de São Paulo, por lá, o clima é de hostilidade a jornalistas e aos policiais militares que fazem a barreira que impede o acesso. 

Ainda de acordo com o jornal, pelo menos quatro caminhões de grande porte estacionados na Esplanada carregam as inscrições do Grupo Brasil Novo, sediado em Florianópolis. A empresa é especializada em transporte rodoviário, com boa parte dos serviços voltada ao agronegócio.

Outros 17 caminhões carregam a identificação “Arroz e Feijão Grão Dourado”, uma empresa sediada em Piracanjuba, no interior de Goiás

Os manifestantes que seguem em Brasília, a bordo de caminhões, falam abertamente contra o STF e seus ministros, defendendo invasão, fechamento e a prisão dos seus membros.

Mais cedo, manifestantes chegaram a tentar invadir o Ministério da Saúde. O grupo perseguia um servidor da Pasta após bate-boca. Eles também tentavam alcançar equipes da TV Record e do SBT que tentaram captar imagens do acontecimento.

O clima de hostilidade já começou na noite de segunda-feira, 6, à véspera da manifestação do feriado da Independência. Manifestantes derrubaram duas barreiras montadas pela PM, abrindo passagem para carros, ônibus e caminhões rumo à Esplanada. No dia 7, houve forte pressão (que prossegue nesta quarta) de caminhoneiros e manifestantes para derrubar a última barreira existente, na altura do Itamaraty.

O povo