Maioria dos esquartejamentos no Ceará seria praticada por facções

Maioria dos esquartejamentos no Ceará seria praticada por facções


Um corpo esquartejado foi encontrado em um terreno abandonado na avenida Duque de Caxias, no Centro de Fortaleza, nesta quarta-feira, 29. Além de diversas partes do corpo arrancadas, a vítima estava sem os cinco dedos da mão, o que é uma simbologia de facção criminosa. Esse é o quarto esquartejamento do mês de setembro de 2021.

Ainda neste mês, partes do corpo de um homem foram encontradas no Siqueira e no Anel Viário. Esse caso, no Bom Jardim, em que o adolescente filho da vítima foi apreendido suspeito pela ação, e a própria companheira da vítima, Sara Nascimento Parente de Morais, também foi detida por envolvimento no assassinato, foi uma exceção dentre as motivações de crimes cruéis desse tipo que acontecem em Fortaleza e na Região Metropolitana (RMF). A maioria ainda seria relacionada a facções criminosas, conforme apurou O POVO.

Os outros dois casos do mês foram em Caucaia e no bairro Jangurussu, em Fortaleza. No primeiro, um jovem chamado Luan teve braços, pernas e cabeça arrancados, no dia 16; e o segundo foi uma decapitação no bairro Jangurussu, no dia 19, de uma vítima não identificada. Ambos teriam relação com organizações criminosas. No caso de Luan, os suspeitos foram apreendidos. Eles afirmaram à Polícia que uma traição da organização criminosa os motivou a cometer o crime tão brutal. 

Em um balanço feito pelo O POVO, neste ano há um caso de decapitação em Cascavel no mês de março, e no mês de maio uma mulher foi esquartejada no Conjunto Palmeiras, em Fortaleza. Em 15 de fevereiro, uma mulher foi esquartejada e toda a ação foi filmada pelos criminosos. 

2016 foi um ano com esquartejamentos e carbonização em massa dentro do sistema prisional do Ceará, quando 14 presos foram mortos em rebeliões. O membro do Conselho Penitenciário, Cláudio Justa, ressalta que não existem mais esses tipos de mortes cruéis nas unidades prisionais do Ceará, no entanto, essa prática se estendeu para as ruas e, desde então, é uma marca das facções.

Justa diz que as mortes cruéis são uma forma de impor, com violência, a presença das organizações. "Acabaram dentro dos presídios, mas a sua presença fora continua. É uma dimensão simbólica e demonstração de poder sobre aquela comunidade que está com o risco de domínio", explica o membro do Conselho Penitenciário.

O POVO