Comitê da ONU repudia Bolsonaro por promover criança com traje militar

Comitê da ONU repudia Bolsonaro por promover criança com traje militar

 

O Comitê dos Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas (ONU) repudiou nesta terça-feira, 5, a imagem do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) acompanhado de uma criança com trajes militares durante um evento político na última semana. O mecanismo especial do órgão realizou um pronunciamento nesta terça e desaprovou o comportamento do mandatário, que viola compromissos internacionais assumidos. 

A manifestação acontece após uma notícia enviada pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH)  ao Comitê dos Direitos da Criança da ONU (Organização das Nações Unidas) por "ações públicas que desrespeitam os direitos das crianças ao associá-las ao uso de arma de fogo". A representação contou com o apoio de mais de 80 organizações.

De acordo com o comitê, a entidade "condena com veemência o uso de crianças pelo presidente Bolsonaro, vestidas com trajes militares e com o que parece ser uma arma de fogo, para promover sua agenda política, mais recentemente em 30 de setembro de 2021".

Em evento na cidade de Belo Horizonte, Bolsonaro participou de um evento público e posou com uma criança fardada com os trajes da Polícia Militar e segurando uma arma de brinquedo. "Estou com quase 70 anos. Quando era moleque, brincava com arma, flecha, estilingue. Assim foi criada minha geração. E crescemos homens fortes, sadios e respeitadores. Meu cumprimento aos pais desse garoto, por tê-lo emprestado para dar um exemplo de civilidade, patriotismo e respeito. Obrigado, Polícia Militar de Minas Gerais", afirmou o presidente. 

"O Brasil é um Estado parte tanto da Convenção sobre o Direito das Crianças quanto de seu Protocolo Opcional sobre o envolvimento de crianças em conflitos armados, e tem a obrigação de garantir que as crianças não participem de hostilidades ou de qualquer atividade relacionada a conflitos", afirmou o comitê. "A circulação de imagens de tais crianças perpetua ainda mais os danos a elas causados e corre o risco de contribuir para a falsa percepção de que o uso de crianças em hostilidades é aceitável", ressaltou.

O povo