Detentos ateiam fogo em colchões em presídio

Detentos ateiam fogo em colchões em presídio

 

Detentos do presídio Ribeirão das Neves II (Inspetor José Martinho Drumond), da Região Metropolitana de Belo Horizonte, atearam fogo em colchões na tarde desta quinta-feira (4).

Segundo o Serviço de Atendimento Móvel de Emergência (Samu), havia 20 detentos na cela. Doze tiveram que ser resgatados. Os bombeiros confirmaram que seis deles tiveram queimaduras de segundo e terceiro graus. Pelo menos cinco tiveram que ser entubados.

O motim teria sido uma reação à insalubridade e à superlotação. A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) não informou quantos detentos há no presídio. A pasta também ainda não se manifestou sobre o caso. Mas segundo o diretor de comunicação do Sindicato de Policiais Penais de Minas Gerais, Magros Soares, a cela tem capacidade para oito presos e tinha mais que o dobro.

"A informação que a gente tem é a situação de superlotação é grave. Uma cela que cabe de oito a 10 presos estava abrigando 20", disse ele.

Ainda segundo Magros, nenhum policial ficou ferido.

Denúncia de superlotação

O g1 falou com com Maria Teresa dos Santos, que é presidente da Associação de Amigos e Familiares de Pessoas Privadas de Liberdade de Minas Gerais. Segundo ela, há mais de 30 dias a direção do presídio sabia que os detentos fariam isso. O que os levou ao motim foram as péssimas condições no local, com insalubridade e superlotação, ainda segundo Maria Teresa.

“Eles têm pouco acesso à água – cerca de 10 a 20 minutos por dia, um pouco no período da manhã e da tarde. Emagreceram muito ao longo da pandemia”, disse ela.

Segunda revolta em pouco mais de um ano

Em setembro de 2020, presos de duas alas do presídio de Ribeirão das Neves II colocaram fogo em colchões.

Policiais penais controlaram o fogo dentro das celas e não houve feridos, nem reféns.

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), por meio do Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG), disse, à época, que os presos pediam melhorias na alimentação servida na penitenciária.

Motim

Também em setembro do ano passado, bombeiros foram acionados para conter um incêndio dentro da Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, também na Região Metropolitana de BH, após motim feito por detentos que colocaram fogo em pedaços de colchão e roupas.

De acordo com a Sejusp, os presos ficaram agitados com a informação da queima do ônibus nas proximidades da penitenciária. Policiais penais contiveram o ato e os bombeiros combateram os focos de incêndio.

G1