Mulher que quebrou guichês de companhia aérea conta que ficou sete horas sem comida e fralda para o filho

Mulher que quebrou guichês de companhia aérea conta que ficou sete horas sem comida e fralda para o filho


No início do mês, o vídeo de um casal de passageiros viralizou nas redes sociais. Era uma confusão no balcão de check-in de uma companhia aérea no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, por causa de problemas em voo na noite da última segunda-feira, 1º. O casal estava acompanhado do filho, de 5 meses. A família tinha o intuito de ir para Confins, em Minas Gerais.

A mineira que protagonizou as cenas do vídeo era Kênia Leandra da Silva Lopes, de 39 anos. "Surtei por descaso da Gol. Uma mãe cansada, com bebê de 5 meses, chorando, sem leite, sem fralda, sem comer, esperando por sete horas em um aeroporto, sem notícias. Qualquer mãe faria o mesmo no meu lugar", disse a mulher ao G1. Nas imagens, ela aparece ao lado do marido, o comerciante Alexandre Wagner de Almeida Lopes. Na gravação, Alexandre aparece quebrando os vidros dos guichês de atendimento. 

Como tudo começou

Contando sua versão dos fatos ao G1, Kênia informou que a confusão começou após o cancelamento do voo por causa da impossibilidade de o avião pousar no Aeroporto de Confins, devido à forte chuva que caiu na cidade. Após o avião sobrevoar por mais de 20 minutos o Aeroporto de Confins, os passageiros foram informados que iriam voltar para São Paulo, já que as condições para pouso não eram seguras.

A maior queixa de Kênia foi ficar por três horas dentro da aeronave, sem alimentação para seu filho, e aguardando informações: "Avião cheio, quente, tinha idosos e crianças no voo, meu filho começou a chorar, eles só ofereciam água para gente. O leite e fraldas da mala de mão acabaram e eles não autorizaram que eu pegasse a bagagem, só liberaram os passageiros saírem do avião quando ligamos para polícia e Anac", disse.

Ela disse ainda que os atendentes da Gol não sabiam passar informações: "nada era oferecido e ninguém sabia como proceder". A mulher reconhece a culpa, mas reafirma sua exaustão diante da situação: "Óbvio que erramos, mas estávamos exaustos". 

Segundo ela, como já era madrugada, todos os passageiros estavam cansados, o bebê dela chorava muito e eles não sabiam o que podiam fazer. Por isso, ela e o marido tiveram um "ataque de fúria". 

"Já era de madrugada, mais de sete horas de espera, todos cansados. Ver meu filho que sonhei tanto para tê-lo, naquela situação, sem ninguém para nos dar um norte, surtei, surtamos. Gritei, quebrei o acrílico, meu marido viu a cena e também descontrolou e quebrou os outros. Óbvio que erramos e vamos pagar pelo prejuízo, mas estávamos exaustos com o descaso", disse. 

Ela e o marido informaram que terão que pagar cerca de R$ 5 mil de prejuízo pela quebra dos guichês e de uma impressora da companhia área. Depois do ocorrido, a família foi levada para um hotel localizado a 1h30 do aeroporto de Guarulhos e o voo para BH foi remarcado para a tarde do dia seguinte.

Gol não os aceitou após o ocorrido

No outro dia, de acordo com Kênia, quando eles chegaram para embarcar, foram impedidos por quatro atendentes da Gol, que disseram: "A Gol não aceita vocês no voo, vocês vão em outra companhia. Ficamos constrangidos, os quatro atendentes nos abordaram perto de outras pessoas, tivemos que embarcar na Latam", contou. O casal informou ter registrado um Boletim de Ocorrência contra a companhia e diz que vai entrar na Justiça.

Ao g1, a Gol informou apenas ter oferecido suporte necessário a todos os clientes, com alimentação e acomodação em hotéis na região metropolitana de São Paulo, onde havia disponibilidade de quartos para seguirem viagem em voos programados para a terça-feira:

"A GOL informa que, após a decolagem na noite de segunda-feira (1), o voo G3 1324 (Guarulhos - Confins) precisou retornar ao Aeroporto de Guarulhos por conta das condições meteorológicas adversas em Confins. A Companhia ressalta que ofereceu o suporte necessário a todos os Clientes com alimentação e acomodação em hotéis na região metropolitana de São Paulo onde havia disponibilidade de quartos para seguirem viagem em voos programados para a terça-feira (2). Alguns Clientes, por motivo de segurança, seguiram em voos de outras companhias para Confins. A GOL reforça que todos os procedimentos adotados a partir da necessidade de retorno à base de Guarulhos foram realizados com foco na Segurança, valor número 1 da Companhia".

O povo