Quase nove anos após tragédia, réus da Boate Kiss são condenados depois de dez dias de julgamento

Quase nove anos após tragédia, réus da Boate Kiss são condenados depois de dez dias de julgamento


O Tribunal do Júri do Foro Central de Porto Alegre condenou, nesta sexta-feira, 10, os acusados pelo incêndio na boate Kiss, em 27 de janeiro de 2013. Quatro réus foram condenados pelo episódio que vitimou 242 pessoas e deixou mais de 600 feridos. São eles: os sócios do estabelecimento Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann; e os integrantes da banda Gurizada Fandangueira Marcelo de Jesus e Luciano Bonilha. A pena variou entre 18 e 22 anos e seis meses de prisão pelo crime de homicídio simples com dolo eventual.

O cumprimento da condenação se dará de em regime fechado e será executada de forma provisória, por se tratar de uma pena maior do que 15 anos. No entanto, o magistrado que decretou a prisão dos quatro, Orlando Faccini Neto, recebeu a informação de que o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) havia concedido um pedido de habeas corpus preventivo para um dos réus, o que fez suspender a execução da pena dos quatro. A informação foi divulgada nas redes sociais do órgão.


Após oito anos e 11 meses, a tragédia foi à júri no dia 1º de dezembro. Com transmissão ao vivo do julgamento, foram ouvidas testemunhas e réus durante a fase de debate do caso. Depois de dez dias, o caso foi para votação, em que os integrantes do julgamento foram para uma sala separada, onde foi realizada uma votação, sendo decidida a sentença.

Nesta sexta-feira, o Ministério Público defendeu a manutenção da condenação pelo crime de homicídio com dolo eventual. O advogado Amadeu Weinmann, assistente de acusação, elencou motivos que justificariam a condenação. “Total de 242 pessoas morreram por falta de iluminação para orientar a saída, de extintor de incêndio. Isso é o que traz o dolo. Não cumpriram uma obrigação legal de manter a proteção dos habitantes das boate à noite”, disse durante o julgamento.

Mais cedo, a advogada de defesa de um dos réus, Tatiana Borsa, defendeu que seu cliente teria agido para impedir a tragédia, sem que houvesse dolo (intenção) em sua atitude. “Absolvam o Marcelo (vocalista da banda). Ele não foi lá para fazer aquela atrocidade, para fazer a tristeza daqueles pais. O Marcelo foi com alegria para dançar com eles. Absolvam o Marcelo para que ele volte a ter um pouco de alegria. Porque ele nunca mais será o Marcelo Jesus dos Santos. Ele será sempre o Marcelo da Kiss”, disse.

A tragédia, que matou principalmente jovens, marcou a cidade de Santa Maria, conhecido polo universitário gaúcho, e abalou todo o país, pelo grande número de mortos e pelas imagens fortes. A boate tinha apenas uma porta de saída desobstruída. Bombeiros e populares tentavam, de todo jeito, abrir passagens quebrando os muros da casa, mas a demora no socorro acabou sendo trágica para os frequentadores.

O Povo Online