Brasil é o 4º país da América do Sul no ranking de doses de reforço


O Brasil é o quarto país na América do Sul em total de população proporcionalmente vacinada com o reforço contra a Covid-19. A nação está atrás de Chile, Argentina e Uruguai na corrida contra a nova onda de infecções provocadas pela variante Ômicron.

Desde que o reforço contra a doença foi autorizado pelo Ministério da Saúde, em setembro do ano passado, 57 milhões de pessoas receberam a dose adicional dos imunizantes no país.

Por aqui, ao menos 26,4% dos cidadãos já tomaram a 3ª dose, contra 68,6% dos moradores do Chile, país líder no ranking na região. Os números são proporcionais ao total da população de cada nação, para que as comparações entre locais com mais, ou menos habitantes, consigam ser realizadas.

Uruguai e Argentina aparecem em segundo e terceiro lugar, respectivamente, com 54,3% e 33,3% de vacinados com mais de duas doses. Para realizar este levantamento, o (M)Dados, núcleo de análise de grande volume de informações do Metrópoles, analisou os números disponibilizados pela plataforma Our World in Data.

O infectologista Marcelo Daher, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), avalia que a principal razão para o baixo número de vacinados com a 3ª dose vem de um problema inicial na campanha de imunização contra a doença: a demora na aquisição de vacinas pelo governo brasileiro. “Entramos tardiamente nessa luta e acabamos ficando para trás”, disse.

Líder no ranking, o Chile começou a dar doses de reforço um mês antes do Brasil — a quarta dose também já está autorizada. O país foi o pioneiro na campanha de vacinação no continente, tendo iniciado sua campanha contra a doença em dezembro de 2020.

Além disso, o especialista pontua o aumento no número de infectados pela doença já que, ao ser contaminada, a pessoa deve esperar ao menos quatro semanas do início dos sintomas para tomar a dose de reforço. No dia 3 de fevereiro, o país registrou a maior quantidade de contaminados em toda pandemia; um total de 298.408 notificações, segundo dados divulgados pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).

Outro fator para o atraso vem da forma “governamental”, segundo Daher.

“Temos um presidente que desaconselha a vacinação. Que comprou vacinas, mas que sempre desestimulou a população a tomá-las. Isso causa dúvidas nas pessoas e descrédito nos imunizantes”, afirma.

O episódio mais recente de ataque à ciência pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) veio depois da autorização do uso da vacina em crianças. Logo após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar os imunizantes para o público infantil, o chefe do Executivo chegou a dizer que o órgão teria “segundas intenções“.

Metrópoles

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