Cearense que mora na fronteira entre Rússia e Ucrânia enfrenta desafios após conflitos

 

Sem imaginar o que o futuro traria, a estudante Hilana Miranda Damasceno, 25 anos, decidiu sair do Brasil no dia 31 de janeiro deste ano para iniciar o curso presencial na Universidade Médica Estatal de Kursk, na Rússia. No quarto semestre da graduação, os planos de mudar de País haviam sido adiados por causa pandemia de Covid-19. Assim, os dois primeiros anos letivos foram feitos de forma remota ainda em território brasileiro. Passado o momento mais grave da doença, chegou a hora de voar para o leste europeu.

Após uma série de planejamentos junto à Aliança Russa, Hilana saiu de Fortaleza para São Paulo, onde pegou voo para Moscou, chegando ao território russo. Para iniciar seu sonho de estudar fora, ela pegou um trem-bala para só então chegar na pequena cidade de Kursk.

Desde ontem, porém, a situação de tranquilidade acabou. Miranda está exatamente na fronteira entre a Rússia e a Ucrânia, regiões de grande conflito internacional após o presidente Vladimir Putin decidir iniciar uma operação militar para retomar as terras do país vizinho. Além disso, Kursk fica a 600 e 500 km, respectivamente, de Donetsk e Lugansk, considerados os principais focos da rebelião separatista da Ucrânia. Para Kiev, capital da Ucrânia, a distância é de 500 km, aproximadamente. 

Com as sanções já prometidas pelos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), segundo os pais da estudante, a preocupação agora é com a dificuldade de vida da filha no território russo. Apesar de estar segura e com residência garantida, eles afirmam que os moradores da cidade universitária já encontram dificuldades em sacar dinheiro nos bancos. Sobre a alimentação, apesar de uma breve carência, o problema já foi solucionado.

A outra preocupação é com a possibilidade de Miranda ao menos  conseguir sair da fronteira entre os países, pois o trem-bala que garantiria seu retorno a Moscou está com bilhetes em falta. "A gente está inseguro porque ela não consegue deslocamento. Ela também não consegue converter o dinheiro dela. Foi feito uma vaquinha entre estudantes para comprar o que tinha na prateleira do supermercado", disse Eleno Feijó Damasceno, pai da cearense. 

"No quarto dela são três camas, mas têm duas meninas e está tudo seguro para elas. Hoje ela teve aula normal. Agora, como as sanções americanas vão atingir aos bancos? Hoje ela sentiu dificuldade. A gente depositou um dinheiro para ela, mas esse valor ela não conseguiu converter e isso deu problema. Não sei se ela vai conseguir amanhã, não sei se por causa de problemas no Banco Central Russo", completou o brasileiro. 

Em pronunciamento nesta quinta-feira, 24, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse que os EUA e seus aliados estão aplicando “a maior sanção econômica da história” contra a Rússia. Falando na Casa Branca, ele também disse que o governo limitaria a capacidade da Rússia de fazer negócios em dólares e outras moedas, e que planejava sancionar outros bancos russos. Porém, ele informou que as sanções ainda não incluem banir o país do sistema bancário SWIFT.

Segundo embaixada do Brasil na Ucrânia, cerca de 500 brasileiros vivem no país. Entre eles estão os jogadores de futebol e profissionais de tecnologia da informação. Na Rússia, ainda não informações oficiais de quantos residem no país. 

Na tarde desta quinta, o Itamaraty fez uma coletiva de imprensa para passar orientações aos brasileiros que vivem na Ucrânia. Leonardo Gorgulho, secretário de comunicação do Itamaraty, alertou, no entanto, que a Embaixada do Brasil em Kiev não realiza operações de resgate. Na Rússia, nada também foi cogitado até então. 

A família de Miranda afirma que tenta contato com o Itamaraty para a adoção de medidas emergenciais. Até agora, eles foram orientados a tentar contato por e-mail, devido à alta demanda nacional. A mãe de Hilana, Heloíza Miranda Damasceno, enviou à reportagem uma mensagem encaminhada pela Aliança Russa. Na mensagem, a instituição afirma que, apesar dos conflitos, as atividades universitárias permanecem normais. Porém, a situação é de monitoramento. 

Caros pais e alunos,

Em respeito a todos vocês e reiterando nossa posição de total transparência, informamos que a cidade de Kursk, onde está instalada a Universidade Médica Estatal de Kursk, e toda a Rússia, de modo geral, permanecem em normalidade, apesar dos acontecimentos das últimas horas. A Aliança Russa está em contato direto com a Universidade, que mantém cooperação com a Embaixada do Brasil na Rússia, monitorando a situação.
O povo

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