Flexibilização do uso de máscara no Ceará divide opiniões de epidemiologistas


A flexibilização do uso de máscaras para proteção contra o coronavírus avança em estados brasileiros como São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e outros, e, com isto, o tema também se volta para o Ceará. A previsão estadual é discutir a medida nesta semana, e o assunto divide opiniões de especialistas em saúde. O professor universitário Luciano Pamplona avalia que o atual cenário epidemiológico pode permitir a flexibilização, se feita de maneira adequada e somada a um trabalho de conscientização das autoridades.

“Na pandemia, eu nunca fui favorável a se fazer flexibilizações de uma hora para outra. Então, eu acho que é fundamental começar o processo. Neste momento, acho que deve começar com ambientes abertos porque a gente sabe que são locais onde é menor a transmissão”, comenta o biólogo, que faz parte do Departamento de Saúde Comunitária da Universidade Federal do Ceará (UFC).

“Os dados oficiais que nós temos mostram uma transmissão extremamente baixa. Se a gente comparar com os picos, são casos raros, com completa condição de atendimento e a maior parte da população vacinada”, complementa o professor.

Medida no Ceará
Na última sexta-feira (11), o governador Camilo Santana informou que o Ceará vai definir se flexibiliza ou não a obrigatoriedade do uso de máscara nesta semana, quando ele renovou o decreto com as medidas de enfrentamento à pandemia no estado. "Durante a semana, seguiremos acompanhando a evolução dos números para, na reunião da semana que vem, discutirmos a possibilidade de flexibilização do uso de máscaras em locais abertos", disse o governador.

O professor Luciano acredita que os dois anos de pandemia foram suficientes para obter conhecimentos sobre a doença e o vírus, para que a flexibilização seja feita de maneira adequada. “Você consegue descansar as pessoas porque depois de dois anos está todo mundo cansado do uso de máscara, e com um risco pequeno de transmissão, já que a taxa de positividade dos testes neste momento está baixa”, explica o biólogo.

“Então, se existe um momento para começar essa flexibilização, sem dúvida nenhuma, esse momento parece ser agora”, reforça o epidemiologista. Ele acredita que o processo precisa ser gradual e cita como exemplo que ainda não é o momento de tirar a obrigatoriedade da máscara no transporte coletivo. “Se a gente pensar em liberações semanais dos ambientes, a gente consegue fazer isso com segurança”, declara.

"Eu acho que esse é um momento de conscientizar a população. O Estado fez um papel importante, os decretos foram fundamentais para que a gente pudesse passar por isso de uma forma menos grave, vamos dizer assim, obviamente lembrando que foram muitos óbitos", complementa o professor universitário.

Possibilidade de retrocesso
Já a professora Caroline Florêncio lembra de exemplos internacionais onde a medida foi adotada, mas as autoridades tiveram de retroceder, como Estados Unidos, Israel e países europeus. “Eu acredito que no Brasil não vai ser diferente. Acho sim que é precipitado. Eu vou continuar usando a minha, independente de decreto ou não, e eu digo que você continue usando a sua”, declarou a epidemiologista.

A possibilidade de voltar a usar a máscara mesmo em locais abertos é reforçada por Luciano Pamplona. “A gente precisa entender que é possível tirar a máscara nesse momento, mas, se por algum motivo a doença voltar a aumentar, essa medida pode sim voltar a valer, podemos sim voltar a precisar usar a máscara”, diz o biólogo.

Já Caroline critica também a maneira como o item de proteção foi implementado na rotina dos cearenses. “O uso foi feito de forma tão inadequada, que eu não consigo nem mensurar; infelizmente, porque é uma medida extremamente útil, confiável que é o uso da máscara. Acaba passando como se fosse algo mentiroso, absurdo”, complementa a epidemiologista.

A professora universitária reforça também que as máscaras que realmente têm efetividade na proteção são os modelos conhecidos como as N95, PFF2 e cirúrgicas. “Máscara de pano nunca prestou para covid ou nenhum outro vírus ou bactéria respiratória que utilize aerossóis. Ela foi liberada de forma emergencial porque a máscara de uso hospitalar não estava dando conta nem dos profissionais de saúde”, diz Caroline.

G1 CE
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