Grupos contrários à exploração da Mina de Itataia realizam manifestação neste Dia da Mulher em Santa Quitéria


O Dia Internacional da Mulher deste ano começou com manifestação em Santa Quitéria. Nesta terça-feira (08), dezenas de manifestantes indígenas, quilombolas e de movimentos como o Movimento Sem Terra (MST) e Anti-Mineração realizaram pela manhã um ato contra a exploração da Mina de Itataia.

Os manifestantes percorreram as principais ruas do centro da cidade, se reunindo no fim na rua Antonio Sabóia. Durante o percurso, manifestantes levavam faixas e cartazes com frases contra a exploração da jazida e destacando a força das mulheres contra a exploração. Alguns manifestantes colaram uma imagem de radioatividade nas costas com a frase “urânio=morte”.

Segundo Keila Lima, diretora nacional do MST, o movimento é totalmente contra a exploração da Mina de Itataia devido às consequências que a retirada do urânio trará as vida das mulheres que moram no entorno da mina. “É uma ameaça da desterritorialização das companheiras que vivem em torno, não só no entorno da mina, mas por todo o espaço que está previsto a passagem desse produto que é tóxico para a vida. Nós estamos nessa luta em defesa da vida”.


De acordo com a integrante do Movimento Anti-Mineração, Iara Fraga, o protesto de hoje busca visibilizar para a população as consequências que a exploração terá no meio-ambiente e na vida das pessoas e tem como principal objetivo “as mulheres dialogarem com as mulheres de Santa Quitéria, alertarem a gravidade dessa mineração para as mulheres”. Iara também cobrou que o Governo do Estado “precisa conversar com os movimentos, [..] as populações também precisam ser ouvidas”.

Para Simbá Potiguara, Indígena da Aldeia Mundo Novo de Monsenhor Tabosa, após um estudo sobre os possíveis efeitos da exploração da mina, a conclusão foi que a mineração “tem muito mais a nós prejudicar na questão da saúde, na água, na produção de alimento”, afirmou. Segundo ela, a exploração trará “riqueza para poucos, desigualdade para muitos”.

A Mina de Itataia será explorada para retirada de urânio e fosfato, este último essencial para a produção de fertilizantes. Mas as atividades na jazida só poderão começar após o licenciamento ambiental por parte do Ibama, que havia prometido emitir a licença até o final de fevereiro, mas que ainda não foi entregue.

O confronto da Rússia, principal importador de fosfato, com a Ucrânia, torna ainda mais urgente à exploração de Itataia. Devido esse confronto, o Governo Federal, através da Casa Civil, analisam lançar ainda em março um plano nacional de fertilizantes.
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