Homem é preso suspeito de fraudar documentos para agravar lesões e conseguir valores mais altos no seguro DPVAT, no Ceará

 Foto: Polícia Civil/Reprodução

Um homem de 38 anos foi preso, nesta quarta-feira (9), suspeito de falsificar documentação de clientes para agravar lesões e conseguir valores mais altos no seguro dos Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT). Ele usava um escritório para praticar as fraudes em Iguatu e Quixelô, no interior do Ceará.

Na casa dele também foi cumprido um mandado de busca e apreensão que resultou na apreensão de vários documentos relacionados às fraudes, além de uma impressora, impressões utilizadas nas falsificações e a quantia de R$ 3.200,00 em espécie.

No escritório, ele recebia pessoas que eram vítimas de acidentes de trânsito. Além disso, o golpista procurava as vítimas e dizia até que sem a ajuda dele não receberiam o seguro, como uma forma de convencer o cliente a contratar os serviços dele.

A prisão dele aconteceu com o início da “Operação Apate”, deflagrada no Ceará com o objetivo de combater as fraudes no recebimento do seguro DPVAT. O termo “apate” vem do grego e significa enganação, fraude. O trabalho é de responsabilidade da Polícia Civil do Ceará , por meio da Delegacia Regional de Iguatu, no interior do estado.

Lesões agravadas
Após convencer os clientes, dependendo das lesões, o suspeito encaminhava os pedidos de seguro DPVAT, mas na maioria das vezes com lesões maiores que aquelas realmente existentes, inclusive nas buscas foram apreendidos laudos médicos em branco a serem preenchidos conforme a vontade do estelionatário. Após receber a documentação dos clientes, o homem adulterava os laudos apresentados. As lesões eram “agravadas” ou transformavam-se em "invalidez permanente", aumentando o valor a ser recebido.

A Polícia cita como exemplo um caso investigado onde uma ficha de atendimento médico do Hospital Regional de Iguatu foi adulterada e uma queda de cavalo acabou se transformando em um acidente de moto, com o intuito ludibriar a seguradora e fazer com que ela pagasse um seguro indevido. Este pagamento, porém, não foi realizado

O homem ainda chegava a cobrar dos seus clientes a quantia de 30% sobre o valor que fosse concedido pela seguradora. Os agentes encontraram ainda cartões de visita apreendidos com o suspeito, onde constava o nome “DPVAT REGIONAL”, para dar a entender que ele teria privilégios dentro da Delegacia Regional de Iguatu.

Investigações
A Polícia Civil informou que as investigações duraram cerca de dois anos, mas há indícios que as fraudes ocorriam a mais de cinco anos. A equipe da Delegacia Regional de Iguatu/ apurou que o homem preso realizava a falsificação de documentos (Boletins de Ocorrências e Fichas de Atendimento Médico), falsidade ideológica e registros inautênticos de ocorrências, entre outras atividades ilícitas.

Em seguida, o suspeito de estelionato encaminhava os pedidos fraudados de seus clientes para a Seguradora Líder e solicitava o pagamento de seguros DPVAT. Muitos desses procedimentos foram originados por “notícias-crime” oriundas da seguradora, empresa administradora do seguro DPVAT.

Cerca de 50 inquéritos policiais e boletins de ocorrência foram registrados para investigar fraudes ocorridas entre os anos de 2016 a 2021, sendo que alguns outros já foram finalizados e remetidos ao Poder Judiciário.

G1 CE
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