37 municípios cearenses não registram novos casos de Covid-19 há um mês


Há quase três meses em queda sustentada de indicadores da Covid-19, o Ceará está novamente em um período de relativa tranquilidade. Em 37 municípios cearenses, não foram registradas novas confirmações da doença há um mês. No mesmo período, não houve novos óbitos pela infecção em 151 cidades. O que equivale a 85% dos 184 municípios do Estado.

Dados se referem ao período entre 4 de março e 4 de abril deste ano, conforme o IntegraSUS, plataforma da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), atualizada às 7h27min dessa terça-feira, 5. Desde o início da pandemia, o Estado já confirmou 1.241.634 casos da doença e 26.784 mortes pela infecção. 

Em 118 cidades, foram confirmados menos de dez casos nesse ínterim. Outras 25 tiveram entre 10 e 32 confirmações. Fortaleza (497), Juazeiro do Norte (93), Nova Russas (65) e Crato (41) e Aracati (32) apresentaram os maiores números de casos. Em relação aos óbitos, Fortaleza (45) e Juazeiro do Norte (4) apresentaram os maiores números. Seguidos de Caucaia, Maracanaú, Sobral, Barbalha, Eusébio e Missão Velha, com duas mortes, cada, em igual período. Do total, 69 municípios não têm mortes em decorrência da doença há dois meses. 

O momento é de "calmaria", define a epidemiologista Caroline Gurgel, professora do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC). "No lugar de ondas de tsunami agora temos um mar calmo", compara a pesquisadora, em relação aos picos das ondas da doença.

Devido à alta transmissibilidade da variante Ômicron — que causou recrudescimento da doença em diversos países —, houve aumento explosivo em curto período que caracterizou a terceira onda no Estado. Quantidade de mortes, contudo, foi menor por causa da vacinação contra o vírus.

Vacinação e sazonalidade do vírus
"Os indicadores mostram nitidamente o quanto a cobertura vacinal adequada faz com que você consiga ter menos internações e óbitos mesmo à frente de uma grande quantidade de casos. É só comprar com 2020, quando não tinha vacina. Em 2021, tinha vacina para idosos e profissionais de saúde, e 2022, com vacina para todo mundo", explica.

Na avaliação da epidemiologista, a cobertura vacinal no Ceará é exemplo. "Como houve a exigência de estar vacinado para ter acesso a alguns serviços, fez com que as pessoas tivessem de tomar. Até quem era antivacina. Diferente de outros lugares que não houve o mesmo incentivo".

Ela detalha que, além da vacinação, a redução de indicadores também é reflexo da própria sazonalidade do vírus. "O comportamento que o vírus vai assumir eu acredito que vai ser de circular no começo do ano", diz. Além disso, há redução da procura por testes.

Muitas pessoas com sintomas respiratórios não acham mais que estão com Covid-19. "Essa redução é porque realmente o vírus diminuiu a circulação como também porque quem está com a doença não vai mais procurar fazer o teste", pondera Caroline Gurgel. 

Vigilância deve continuar em alerta
Não obstante o cenário menos grave em relação a outros momentos da pandemia, a vigilância epidemiológica molecular precisa estar em alerta constante. Conforme a pesquisadora, já é comprovado que o Sars-Cov-2 tem capacidade mutagênica muito grande. 

"Quando surge uma nova variante, ela ganha o mundo muito rápido. E existe uma tendência natural de uma evolução favorável para o vírus. O medo é o surgimento de nova variante muito diferente e resistente às vacinas", alerta. Ela ressalta ainda que, por isso, o uso da máscara deve permanecer.

O Povo Online
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